Casas del Bosque abandona “Reserva” e “Gran Reserva”, adota nova classificação e projeta elevar produção a 450 mil garrafas até 2030

O reordenamento de portfólio implementado pela vinícola chilena Casas del Bosque substitui as categorias “Reserva” e “Gran Reserva” por cinco novas linhas e integra uma estratégia que visa ampliar a produção de 300 mil para 450 mil garrafas anuais até 2030, com foco no mercado premium e especial ênfase nas vendas ao Brasil.

Nova arquitetura de portfólio reposiciona rótulos clássicos

Instalada em Las Dichas, Vale de Casablanca, a Casas del Bosque decidiu, no início de 2026, descontinuar os termos regulatórios tradicionais que classificavam seus vinhos. O movimento gerou cinco linhas distintas:

  • Collection – entrada de gama, antiga “Reserva”.
  • Handcrafted – segmento intermediário, substitui “Gran Reserva”.
  • Botanic – rótulos voltados à harmonização gastronômica.
  • Pequeñas Producciones – tiragens limitadas e experimentais.
  • Ícones – topo de portfólio, com Gran Bosque e La Trampa.

Segundo o gerente geral Jaime de la Barra, a reformulação permite comunicar o estilo da casa de forma direta, à semelhança das denominações de origem do Velho Mundo. A meta é que 50 % das vendas provenham das linhas acima de Botanic; em 2025 o índice era de 37 % e chegou a 45 % em 2026.

Na prática, o efeito tornou-se visível na linha Handcrafted: o Carmenère, anteriormente considerado trivial no portfólio chileno, registrou aumento expressivo de vendas apenas quatro meses após a alteração de rótulo.

Brasil se consolida como principal destino e sustenta crescimento

O Brasil respondeu por 49 % das exportações da vinícola nos últimos 12 meses, período em que as vendas locais cresceram 28 % em volume e valor, frente à expansão de 6 % da indústria chilena no mesmo intervalo. O preço médio praticado pela Casas del Bosque no mercado brasileiro alcança US$ 50 por caixa de nove litros, mais que o dobro da média chilena de US$ 24,60.

Para sustentar a performance, a empresa reinveste 10 % da receita obtida no país em marketing e vendas. Em 2026, a contratação da educadora e especialista Joana Bronze como embaixadora local reforçou a presença em eventos regionais e ações em restaurantes, segmento que passou a complementar o varejo tradicional.

O turismo enogastronômico reforça o relacionamento com o consumidor brasileiro: um em cada quatro visitantes estrangeiros que chegam à vinícola é do Brasil. A atividade turística gerou US$ 5,5 milhões do faturamento total de US$ 13 milhões no último exercício, correspondendo a 42 % da receita anual.

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Investimentos em viticultura orgânica e experiências elevam valor percebido

No campo, a vinícola conduz a transição da agricultura convencional para a orgânica, apoiando-se em 970 hectares de mata nativa. Dos 250 ha originais de vinhedos, restam 137 ha; o plano é reduzir a 120 ha até 2028, removendo plantas comprometidas e replantando com material sanitariamente certificado. A gestão afirma que a mudança aumenta a resiliência das videiras frente a anos secos ou úmidos.

Além da produção, a Casas del Bosque ampliou as frentes de hospitalidade com os restaurantes Tanino, Casa Mirador, Botánico e Wine Bar 242. O mais recente, Botánico, inaugurado em 2024, utiliza insumos da horta orgânica e promove harmonizações específicas com a linha Botanic, reforçando a conexão entre enologia e gastronomia local.

Para os próximos anos, o enólogo e diretor técnico Alberto Guolo prioriza vinhos de menor teor alcoólico, mantendo equilíbrio e complexidade, como já demonstrado pela linha Botanic. A estratégia visa adequar-se à tendência global de consumo moderado e à queda geral na ingestão de vinho observada desde 2023.

Conclusão Técnica

A implantação das novas classificações, combinada ao investimento em viticultura orgânica, enoturismo e marketing direcionado ao Brasil, estabelece um plano integrado para que a Casas del Bosque atinja 450 mil garrafas/ano até 2030. A continuidade do crescimento dependerá da consolidação das linhas premium nos canais especializados, da conclusão da conversão orgânica dos vinhedos até 2028 e do incremento da receita turística, atualmente responsável por 42 % do faturamento. Mantidos esses vetores, a vinícola chilena projeta posicionar-se entre as cinco maiores do segmento premium latino-americano nas próximas quatro safras.

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