Washington (EUA) – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reúne-se nesta quinta-feira, 16, com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na capital dos Estados Unidos. O Itamaraty vê o encontro como ocasião decisiva para exigir o fim da tarifa de 50% aplicada a exportações brasileiras e a suspensão de sanções impostas a autoridades do país.
Peso econômico pode favorecer acordo
Para o professor Enrique Arias, diretor do Bildner Center for Western Hemisphere Studies e docente de Ciência Política da City University of New York (CUNY), a dimensão econômica do Brasil pode influenciar a Casa Branca a optar por uma saída pragmática. Ele argumenta que, diante da inflação elevada nos EUA e do acirramento da disputa comercial com a China, o governo Donald Trump tende a considerar mais vantajoso negociar com Brasília do que manter a escalada tarifária.
Arias observa ainda que o recente distanciamento entre Trump e o empresário Elon Musk, após atritos envolvendo a rede social X e o Supremo Tribunal Federal brasileiro, pode ter reduzido a tensão no diálogo com o Planalto.
Impacto interno pressiona Washington
Nos Estados Unidos, o encarecimento de itens como café e carne, somado às dificuldades de exportar soja para a China, gera pressão doméstica. “Esses fatores fazem o governo Trump enxergar a relação com o Brasil e com o presidente Lula como mais estratégica do que se imaginava semanas atrás”, avalia o pesquisador.
América Latina sob pressão
Enquanto Brasília tenta reaproximação, outras capitais latino-americanas enfrentam medidas mais duras. Nesta semana, Trump ameaçou suspender empréstimos à Argentina caso o presidente Javier Milei não seja reeleito. Paralelamente, os EUA intensificaram operações militares contra embarcações venezuelanas suspeitas de narcotráfico, com cinco ataques desde setembro que resultaram em 27 mortes.
Segundo Arias, as ações refletem a tradição de intervenções norte-americanas no Caribe e na América Central, geralmente mais frequentes em administrações republicanas. Ele compara o tom agressivo atual ao perfil mais conciliador observado nos mandatos democratas de Barack Obama e Joe Biden.

Imagem: rfi.fr
Expectativa brasileira
No encontro em Washington, a chancelaria brasileira pretende defender a retirada imediata das tarifas e preservar a soberania nacional em temas sensíveis, como a situação da Venezuela e de Cuba. O governo Lula aposta numa abordagem pragmática, mas reconhece que os EUA devem colocar essas questões na mesa de negociação.
O resultado da conversa entre Vieira e Rubio definirá os próximos passos de Brasília na tentativa de proteger exportadores e reduzir impactos sobre a economia nacional.
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Com informações de RFI


