Pequim – O governo da China informou nesta quarta-feira (31) que, a partir de 1º de janeiro de 2026, passará a limitar a entrada de carne bovina estrangeira por meio de cotas anuais e cobrará tarifa adicional de 55% sobre volumes que ultrapassarem esses tetos. O plano, válido por três anos, pretende, segundo o Ministério do Comércio, proteger a pecuária local.
Limites globais e por país
No primeiro ano de vigência, o limite total de importação será de 2,7 milhões de toneladas, cifra próxima ao recorde de 2,87 milhões de toneladas comprado em 2024, mas inferior aos embarques registrados entre janeiro e novembro de 2025. Os percentuais crescerão gradualmente até 2028.
Distribuída por fornecedores, a cota de 2026 foi definida assim:
- Brasil – 1,106 milhão de toneladas
- Argentina – 511 mil toneladas
- Uruguai – 324 mil toneladas
- Nova Zelândia – 206 mil toneladas
- Austrália – 205 mil toneladas
- Estados Unidos – 164 mil toneladas
O Brasil, principal fornecedor do mercado chinês, exportou 1,52 milhão de toneladas de janeiro a novembro deste ano, volume que supera o teto fixado para 2026. No período, o país respondeu por 48% do total embarcado pelo setor e arrecadou US$ 8,08 bilhões – 49,9% da receita das exportações brasileiras de carne bovina, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Reação do governo brasileiro
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, minimizou o impacto imediato da medida. “Estamos perto da quantidade autorizada, então não é algo tão preocupante”, afirmou. Ele adiantou, porém, que buscará negociar com Pequim a possibilidade de transferir fatias de cotas não utilizadas por outros países ao Brasil.
Origem da decisão chinesa
Maior importador mundial de carne bovina e segundo maior consumidor, atrás apenas dos Estados Unidos, a China iniciou em 2024 uma investigação sobre os efeitos das compras externas na indústria doméstica. O inquérito, prorrogado duas vezes, concluiu que o aumento das importações “prejudicou seriamente” os produtores locais.
Analistas do setor apontam que a cadeia chinesa é menos competitiva do que a de países sul-americanos. Para Hongzhi Xu, da consultoria Beijing Orient Agribusiness, a desvantagem não será revertida no curto prazo com tecnologia ou reformas, daí a adoção das salvaguardas. Já o pesquisador Zengyong Zhu, da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, avalia que a tarifa de 55% dará fôlego à recuperação do rebanho nacional.
Imagem: g1.globo.com
Mercado apertado
Entre janeiro e novembro, o Brasil embarcou 1,33 milhão de toneladas rumo à China, enquanto a Austrália vendeu 294,9 mil toneladas. Os Estados Unidos, impactados por disputa tarifária e perda de licenças, colocaram apenas 55,1 mil toneladas no mercado chinês. O anúncio ocorre em meio à escassez global de carne bovina, fator que pressiona preços em várias regiões.
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Em resumo, a nova política chinesa limita as compras externas de carne bovina, afeta principalmente o Brasil — que ainda mantém a maior fatia — e deve influenciar as negociações do setor nos próximos três anos. Continue acompanhando nossas atualizações e saiba como essas mudanças podem refletir nos preços e nas exportações brasileiras.
Com informações de G1



