Citi registra lucro recorde de R$ 1,3 bilhão no Brasil no 1º semestre

São Paulo – O Citigroup alcançou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão no Brasil nos seis primeiros meses de 2025, resultado 45% superior ao apurado em igual período de 2024. O desempenho elevou o retorno sobre o patrimônio (ROE) de 14% para 20%, acima das metas internas.

A operação local do banco norte-americano atende exclusivamente ao segmento corporativo. A carteira de crédito encerrou junho em R$ 49 bilhões, praticamente estável na comparação anual, reflexo dos juros elevados e da incerteza gerada pelo pacote tarifário anunciado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo o presidente do Citi no Brasil, Marcelo Marangon.

Depósitos e ativos

Os depósitos somaram R$ 84 bilhões ao fim do semestre, avanço de 17% em 12 meses. Já o volume de ativos caiu 11%, para R$ 189 bilhões, impacto da instrução 4.966 do Banco Central, que alterou a classificação de determinados instrumentos, especialmente de câmbio. Sem esse ajuste, os ativos teriam crescido 4%.

Qualidade do crédito

Apesar do cenário mais adverso, a inadimplência ficou em 0,8% da carteira. Marangon atribui o índice reduzido ao relacionamento de longa data com a maior parte dos clientes e ao rigor na prospecção de novos negócios. “Fomos muito seletivos na adição de clientes”, afirmou.

Receitas recorrentes impulsionam ROE

O ganho de rentabilidade foi sustentado por operações não diretamente ligadas ao ciclo econômico, como câmbio, derivativos, gestão de caixa e pagamentos. Essas atividades tornaram a receita menos dependente de mercados como fusões e aquisições (M&A) ou ofertas de ações. O banco participou de 13 das 20 emissões de renda fixa internacional realizadas por empresas brasileiras no semestre.

Perspectivas

Para o segundo semestre, com a taxa básica de juros ainda em 15% ao ano, o executivo não antecipa crescimento relevante da demanda por crédito. No mercado de capitais, a previsão é de retorno das ofertas de ações apenas no início de 2026, enquanto operações de M&A podem avançar, mas seguem condicionadas ao ambiente de incerteza econômica.

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Imagem: Getty via cnnbrasil.com.br

O Brasil está entre os cinco maiores mercados globais do Citi, que pretende manter crescimento anual de dois dígitos na região. De acordo com Marangon, investimentos já foram aprovados para os próximos três anos. Em relação ao impacto do novo pacote tarifário dos EUA, o banco projeta efeito de 0,3 a 0,4 ponto percentual no Produto Interno Bruto brasileiro, com maior pressão setorial sobre cadeias como café, proteínas e siderurgia.

O resultado do semestre, considerado “sólido” pela instituição, reforça a estratégia de diversificação de receitas e controle de riscos, fatores apontados pelo Citi como essenciais para atravessar um cenário ainda marcado por juros elevados e volatilidade internacional.

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Com informações de CNN Brasil