O Citi iniciou cobertura da OceanPact (OPCT3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 13 por ação, sinalizando potencial de alta de 48,2% frente ao fechamento de 26 de outubro de 2026.
Cenário offshore favorece operadores com escala
Os analistas Gabriel Barra e Pedro Gama descrevem um mercado dividido entre companhias com frotas envelhecidas e restrições financeiras e aquelas com escala operacional e balanços robustos. A OceanPact encaixa-se no segundo grupo, posicionando-se para capturar oportunidades geradas pelo ciclo de investimentos da Petrobras em exploração, produção e descomissionamento.
De acordo com o banco, a demanda por Offshore Support Vessels (OSVs) deve permanecer elevada até, pelo menos, 2030. No mesmo período, a oferta tende a seguir limitada porque:
- Condições econômicas desfavoráveis encarecem novas construções;
- Requisitos de conteúdo local restringem a entrada de embarcações estrangeiras.
Esse desequilíbrio já se reflete nas tarifas. A diária média dos navios da antiga CBO subiu de US$ 27 mil em 2020 para US$ 39 mil no 2º trimestre de 2026, e parte relevante dos contratos será reajustada até 2028.
Fusão com CBO amplia frota e sinergias
Concluída em setembro de 2026, a combinação de negócios com a CBO adicionou 45 embarcações à operação da OceanPact, elevando a frota total para 73 navios de bandeira brasileira — a maior do segmento. O Citi calcula sinergias potenciais de R$ 66 milhões em fluxo de caixa livre (FCF) já em 2027, resultado de:
- Racionalização de custos operacionais;
- Integração de equipes de manutenção e logística;
- Ganhos de escala na negociação com fornecedores.
O banco destaca que o acordo surge em momento estratégico: a oferta de embarcações permanece restrita, enquanto a carteira de projetos da indústria offshore cresce, criando ambiente propício para consolidação.
Tese de investimento baseada em três pilares
A recomendação de compra do Citi apoia-se em três frentes:

- Base contratada robusta – A companhia possui contratos de longo prazo que geram previsibilidade de receita e, segundo o banco, devem ser renovados em patamares de preço mais altos.
- Proteção regulatória – A exigência de bandeira brasileira para operações de apoio offshore atua como barreira à competição internacional, preservando margem para reajustes.
- Expansão em serviços submarinos e descomissionamento – A carteira de projetos da Petrobras abre espaço para que a OceanPact diversifique receitas e amplie participação nesses nichos de maior valor agregado.
Esses fatores, combinados, sustentam a visão de que a empresa deve gerar FCF crescente e fortalecer métricas de alavancagem nos próximos exercícios.
Desafios e riscos monitorados pelos analistas
Apesar do cenário positivo, o relatório menciona potenciais entraves:
- Volatilidade do preço do petróleo, que pode adiar projetos de operadoras;
- Custos de financiamento para construção ou retrofit de embarcações;
- Eventuais mudanças na legislação de conteúdo local.
O Citi, contudo, avalia que a experiência operacional e a escala conquistada após a fusão reduzem a exposição da companhia a esses riscos de curto e médio prazos.
Conclusão técnica
A análise do Citi indica que a OceanPact reúne escala, carteira contratada e vantagens regulatórias em um mercado estruturalmente apertado, configurando potencial de valorização de 48,2% até o preço-alvo de R$ 13. A integração com a CBO amplia a competitividade, enquanto a demanda contínua por OSVs tende a sustentar tarifas em ascensão. Nos próximos trimestres, a atenção do mercado deve concentrar-se na captura efetiva das sinergias anunciadas, na renovação de contratos em patamares superiores e no avanço dos negócios de serviços submarinos e descomissionamento.



