O Brasil perdeu sete colocações no Ranking Mundial de Competitividade de 2026, caindo para a 65ª posição entre 70 economias avaliadas pelo IMD World Competitiveness Center, mas manteve destaques em geração de empregos, empreendedorismo inicial e atração de investimento estrangeiro.
Queda no ranking e metodologia do estudo
Elaborado anualmente pelo IMD World Competitiveness Center (WCC), o levantamento consolida 341 indicadores que combinam estatísticas internacionais e a percepção de executivos sobre o ambiente de negócios. A edição de 2026 contou com o apoio local do Núcleo de Inovação e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral (FDC) para coletar os dados referentes ao Brasil.
Na comparação com 2025, o país registrou recuo de sete posições, passando do 58º para o 65º lugar. Segundo o IMD, a classificação reflete a capacidade dos governos de criar condições para que empresas cresçam, inovem e se projetem nos mercados interno e externo. O resultado de 2026 marcou a pior performance brasileira desde o início da série histórica, iniciada em 1989.
Desempenho por pilares: eficiência de negócios lidera a deterioração
O estudo segmenta os resultados em quatro pilares principais: performance econômica, eficiência governamental, eficiência de negócios e infraestrutura. Todas as dimensões apresentaram queda:
- Eficiência de negócios: perda de 11 posições, atribuída a gargalos em produtividade, burocracia e acesso a capital.
- Performance econômica: recuo de seis colocações, influenciado pelo desaquecimento do PIB e por pressões inflacionárias persistentes.
- Eficiência governamental: continuação da tendência negativa observada desde 2022, com ênfase em rigidez fiscal e percepção de aumento da carga regulatória.
- Infraestrutura: queda menos acentuada, mas suficiente para afastar o país das cinco primeiras décadas do ranking.
Analistas da FDC apontam que a combinação de incertezas institucionais e lentidão em reformas estruturais limitou a capacidade de resposta aos choques externos ocorridos no período.
Indicadores que mantêm o Brasil entre os destaques
Apesar da posição geral desfavorável, o relatório evidencia pontos de excelência:
- Geração de empregos no longo prazo: 5º lugar global, sustentada pelo dinamismo do mercado de serviços e pela expansão de micro e pequenas empresas.
- Subsídios governamentais: também em 5º, reforçando a presença do Estado em áreas estratégicas como energia e agronegócio.
- Participação de energias renováveis: posto de 5º, impulsionado pela matriz majoritariamente hídrica e pela evolução do parque eólico e solar.
- Fluxo de investimento direto estrangeiro (IDE): 7º lugar, reflexo do tamanho do mercado consumidor e de projetos ligados a infraestrutura logística.
- Atividade empreendedora em estágio inicial: ocupação da 8ª posição, alavancada por ecossistemas regionais de inovação e serviços digitais.
Para Hugo Tadeu, diretor da FDC, esses indicadores demonstram a “resiliência estrutural” da economia brasileira diante de choques internacionais.

Capital humano: o principal obstáculo à competitividade
O levantamento posiciona o Brasil na última colocação em métricas de qualificação profissional, educação e competências financeiras. Esse resultado expõe a lacuna entre a demanda do mercado de trabalho e a oferta de mão de obra preparada para tecnologias emergentes.
Especialistas indicam que a persistência de deficiências educacionais pode comprometer ganhos recentes em inovação e limitar a competitividade industrial. O relatório recomenda intensificar investimentos em formação técnica, alfabetização digital e pesquisa aplicada para capturar benefícios de cadeias de valor de alta complexidade.
Panorama internacional: liderança asiática e resiliência europeia
Singapura retomou o topo do ranking, deslocando Hong Kong para a segunda posição, graças ao ambiente regulatório favorável e à robustez de suas instituições. A Suíça e Taiwan ficaram em terceiro e quarto lugares, respectivamente. Ainda entre os dez primeiros, Dinamarca, Países Baixos, Suécia e Emirados Árabes Unidos reforçaram a presença europeia e do Oriente Médio na elite competitiva global.
No extremo oposto, Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela ocupam as últimas colocações, enfrentando desafios estruturais em governança e infraestrutura.
Conclusão técnica
O recuo brasileiro para a 65ª posição sinaliza perda de fôlego competitivo em 2026, mesmo com indicadores positivos em emprego, empreendedorismo e atração de capital externo. Para reverter a trajetória, o estudo destaca a necessidade de acelerar reformas que elevem a eficiência governamental, reduzam a burocracia empresarial e, sobretudo, ampliem a qualidade do capital humano. Sem avanços consistentes nesses vetores, a capacidade de sustentar crescimento, inovação e inserção global permanecerá limitada nos próximos ciclos de avaliação.



