Consumidores que aguardam alívio imediato nos juros do cartão de crédito, cheque especial ou financiamentos terão de esperar. Embora o Banco Central tenha indicado o início da redução da taxa Selic a partir de março, especialistas afirmam que os efeitos sobre o custo final do crédito chegam somente meses depois.
Por que a queda não é instantânea?
A Selic serve de referência para o sistema financeiro, mas não define, sozinha, quanto o cliente pagará ao tomar dinheiro emprestado. Conforme explica César Bergo, professor da Universidade de Brasília, os bancos obtêm recursos remunerados por índices como a taxa DI e, sobre esse valor, aplicam um spread que cobre riscos de inadimplência, impostos e despesas operacionais. Quanto maior o risco percebido, maior a taxa cobrada.
Hierarquia no repasse
Linhas de crédito com garantias robustas, como o consignado ou o financiamento de veículos e imóveis, costumam repassar cortes de juros primeiro. Já modalidades sem garantia, caso do rotativo do cartão e do cheque especial, ficam por último. O economista Augusto Mergulhão observa que esses produtos “precificam principalmente o risco de não pagamento, mais do que o custo do dinheiro”.
Prazo estimado
Segundo Bergo, se o ciclo de cortes começar em março, os primeiros sinais de redução podem surgir entre maio e junho, e de forma gradual. Isso ocorre porque contratos antigos, firmados com juros mais altos, precisam ser liquidados para dar lugar a novas operações com custos menores.
Inadimplência pesa
O nível elevado de endividamento das famílias também influencia o ritmo da queda. Para a advogada Isis Alves Mota, enquanto a inadimplência se mantiver alta, os bancos adotarão postura conservadora antes de reajustar suas tabelas.
Orientação ao consumidor
Enquanto o alívio não chega, a recomendação é renegociar dívidas caras, alongar prazos e comparar ofertas entre instituições. Indícios de que o crédito ficou mais barato incluem redução do valor das parcelas, aumento de propostas de portabilidade e critérios de concessão menos rigorosos.

Imagem: noticias.r7.com
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Em resumo, a queda da Selic deve alcançar o consumidor, mas o percurso é lento e varia conforme o tipo de empréstimo. Fique atento às mudanças nas condições oferecidas pelos bancos e aproveite oportunidades de renegociação quando surgirem.
Com informações de R7



