Pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro de 2026 revela que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera o primeiro turno com 39% das intenções de voto, 4 pontos à frente de Flávio Bolsonaro (PL), mas enfrenta empate técnico no segundo turno, cenário que mantém a disputa indefinida a menos de um mês do pleito.
Tendência do primeiro turno: vantagem reduzida e estabilidade nos demais candidatos
No levantamento estimulado sem Pablo Marçal (PRTB), Lula marcou 39% enquanto Flávio Bolsonaro atingiu 35%. O escritor Augusto Cury (Avante) aparece com 6%, seguido pelo governador Ronaldo Caiado (PSD) com 4%, e Renan Santos (Missão) com 3%. Romeu Zema (Novo) registra 2%; os demais postulantes somam entre 0% e 1% cada. Brancos, nulos e indecisos alcançam 10%.
Na comparação com a rodada de 3 de setembro, a diferença entre os dois primeiros candidatos encolheu de 5 para 4 pontos percentuais. A mesma pesquisa revela variação dentro da margem de erro de dois pontos, sinalizando movimento ascendente de Flávio Bolsonaro (+2 pp) e leve avanço de Lula (+1 pp).
Quando Marçal é incluído, o petista mantém 42%, Flávio registra 37% e o ex-coach obtém 2%, sem alterar substantivamente a distribuição de votos nas demais candidaturas. O Tribunal Superior Eleitoral já formou maioria para indeferir a candidatura de Marçal, tornando esse cenário menos provável na cédula definitiva.
Segundo turno: persistência do empate técnico e novos confrontos simulados
No duelo direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o Datafolha aponta 46% × 44%, diferença inferior ao limite da margem de erro e idêntica à aferida na semana anterior. Brancos e nulos permanecem em 8%, enquanto 1% declara indecisão.
Pela primeira vez, o instituto testou Lula contra Augusto Cury, registrando 45% × 43%, também em faixa de empate técnico. Nos demais confrontos, o petista abre distância:
- 46% × 41% frente a Ronaldo Caiado (PSD);
- 48% × 39% contra Romeu Zema (Novo);
- 48% × 37% diante de Renan Santos (Missão).
O instituto calcula ainda os votos válidos – excluindo brancos, nulos e indecisos – sinalizando Lula com 43% e Flávio com 38% quando Marçal não está no cartão de pesquisa. A avaliação reforça a possibilidade de segundo turno obrigatório, já que nenhum candidato ultrapassa 50% mais um voto.
Rejeição, consolidação de voto e percepção de governo influenciam o quadro
A rejeição aos principais adversários segue elevada: 46% dizem que não votariam de maneira alguma em Lula e o mesmo percentual se aplica a Flávio Bolsonaro. A equivalência é inédita no ciclo 2026, limitando a capacidade de crescimento de ambos.
Entre os eleitores, 75% se consideram totalmente decididos, reduzindo o espaço para reviravoltas significativas nas próximas semanas. Ainda assim, 25% admitem possibilidade de mudança, faixa crucial para campanhas de atração e mitigação de rejeições.
Quanto à avaliação de governo, 50% classificam a gestão Lula como ruim ou péssima, 47% aprovam e 3% não opinaram. A oscilação negativa observada anteriormente se estabilizou, mas o índice de reprovação permanece elevado para um presidente que busca reeleição e pode impactar sua margem de manobra na reta final.
A pesquisa contou com 2.002 entrevistados em 135 municípios entre 8 e 11 de setembro. O intervalo de confiança é de 95% e a margem de erro de 2 pontos percentuais.
Conclusão técnica: cenário permanece indefinido e dependerá de mobilização final
Os dados do Datafolha reforçam a manutenção de um quadro polarizado e indefinido. Embora Lula preserve a liderança no primeiro turno, a convergência de intenções de voto e rejeição com Flávio Bolsonaro limita vantagem numérica e estratégica na etapa decisiva. O empate técnico no segundo turno indica que variações mínimas — seja na transferência de votos de candidatos menores, seja na taxa de comparecimento — poderão alterar o resultado.
Com a maioria do eleitorado já declarando voto consolidado, campanhas tendem a concentrar esforços em redução de rejeição e estímulo à participação. Próximas pesquisas serão cruciais para aferir impacto de debates, decisões judiciais pendentes e possíveis eventos econômicos sobre o comportamento do eleitor.



