Os lares norte-americanos terminaram 2025 com o maior saldo de cartões de crédito já registrado. No quarto trimestre, a dívida avançou US$ 44 bilhões, totalizando US$ 1,28 trilhão, segundo relatório do Federal Reserve Bank de Nova York divulgado nesta terça-feira (10). O valor é 5,5% superior ao observado um ano antes.
Expectativas financeiras em queda
Paralelamente, a Pesquisa de Expectativas do Consumidor do Federal Reserve apontou recuo no otimismo das famílias: menos entrevistados acreditam que sua situação financeira melhorará dentro de 12 meses, enquanto aumentou a parcela dos que preveem cenário pior.
Gastos fortes apesar de pressões no trabalho
Tradicionalmente, a dívida dos cartões sobe no fim do ano, impulsionada pelas compras de fim de ano. “Considerando o que observamos no mercado de trabalho, os gastos continuam bastante fortes”, afirmaram economistas do Fed de Nova York em teleconferência com jornalistas. Pesquisas paralelas indicam, porém, que o vigor do consumo se concentra em famílias de renda mais alta.
Aumento da inadimplência
Os pesquisadores também notaram crescimento nas taxas de atraso em financiamentos de veículos, cartões de crédito e linhas de crédito com garantia imobiliária, além de elevação na inadimplência de hipotecas. Os números são mais acentuados em regiões de menor renda.
Cartões continuam caros
Com taxa média anual em torno de 20%, o cartão de crédito permanece entre as linhas de crédito mais onerosas dos Estados Unidos. Cerca de 175 milhões de pessoas possuem cartão; aproximadamente 60% carregam saldo de um mês para outro, de acordo com o Fed.
Uso para despesas básicas
Levantamento da empresa de gestão de dívidas Achieve mostra que 55% dos consumidores mantêm saldo no cartão para cobrir gastos essenciais. Entre os que estão inadimplentes, muitos relatam ter de escolher entre pagar dívidas ou pagar necessidades do dia a dia.
Proposta de teto para juros
Diante desse cenário, o ex-presidente Donald Trump voltou a defender um limite temporário de 10% ao juro dos cartões, medida que reduziria o custo para quem carrega saldo. Representantes de bancos e operadoras já sinalizaram que devem se opor a qualquer tipo de controle de preços, assim como fizeram em 2023 contra propostas do Consumer Financial Protection Bureau para limitar tarifas por atraso.
Imagem: timesbrasil.com.br
A escalada do endividamento e a deterioração das expectativas reforçam o retrato de uma “economia em K”, na qual parte da população mantém conforto financeiro enquanto outra enfrenta dificuldades crescentes.
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Com informações de Times Brasil

