Fundada em 2002 em São José dos Campos (SP), a DM, conhecida pelos cartões white label voltados a grandes redes de supermercados, decidiu ampliar sua atuação e entrar no chamado “mar aberto” — oferta de crédito para clientes que não pertencem à base de varejistas parceiras.
A mudança ocorre pouco mais de dois anos após a gestora Vinci Partners aportar R$ 100 milhões na companhia, em 2022, recurso que impulsionou aquisições como Credz, UZE, FortBrasil e Finansinos. Agora, a fintech começa a aceitar usuários que baixem o aplicativo e solicitem produtos financeiros diretamente, sem intermédio de lojas.
Segundo Denis Correa, fundador e presidente da DM, cerca de quatro meses de testes reforçaram a confiança na estratégia. No período experimental, foram liberados 1 mil cadastros por dia, completados em poucas horas. “Até então operávamos em um ‘lago aberto’. Agora partimos para o mar”, afirma o executivo.
O primeiro produto disponível é uma linha de microcrédito entre R$ 100 e R$ 350. O limite aumenta gradativamente conforme o cliente paga as parcelas em dia. Após alguns meses de relacionamento, o usuário poderá solicitar um cartão Visa. A empresa também oferece a funcionalidade de Pix Parcelado, que permite compras a prazo sem consumir o limite do cartão.
Atualmente, a DM recebe cerca de 700 mil pedidos de cartão por mês, mas aprova apenas 15%. A parcela não aprovada passa a ser convidada a contratar os novos produtos via app. Ao todo, a fintech contabiliza 3 milhões de usuários ativos.
A meta de longo prazo é ter 50% da receita oriunda das parcerias com varejistas e 50% do “mar aberto”. Hoje, de uma carteira de crédito de R$ 3,5 bilhões, aproximadamente R$ 700 milhões já estão fora das lojas. Correa projeta alcançar R$ 8 bilhões em 2028, com divisão igual entre os dois canais.
Após a rodada de aquisições, a DM reduziu o quadro em cerca de 1 mil colaboradores, passando a 1,3 mil funcionários. O grupo também reestrutura sua governança: a financeira do conglomerado deve assumir a liderança, substituindo a empresa que detém a licença de instituição de pagamento.

Imagem: valor.globo.com
Com índice de Basileia próximo de 17%, a companhia avalia ter capital suficiente para sustentar a expansão sem novas captações no curto prazo. “Iniciamos um novo ciclo ao levar nossas soluções diretamente ao consumidor final”, observa Tharik Moura, diretor financeiro da DM.
Para o curto prazo, a estratégia não inclui grandes campanhas publicitárias. Correa argumenta que o funil de aquisição originado nas lojas parceiras continua suprindo a demanda inicial. “Nosso aplicativo já oferece conta, carteira digital e outras facilidades”, completa.
Com a nova frente B2C, a DM planeja reforçar seu propósito de ampliar o acesso ao crédito, mantendo ao mesmo tempo as sinergias estabelecidas com grandes varejistas.
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Com informações de Valor Econômico



