Novas análises genéticas de fósseis de felinos estão redefinindo a história da domesticação dos gatos. Dois estudos publicados nesta quinta-feira (27) nas revistas Science e Cell Genomics revelam que o Felis catus, gato doméstico moderno, teve origem no Norte da África e não no Levante, como se acreditava até agora.
O que os pesquisadores descobriram
Uma equipe liderada por Greger Larson, da Escola de Arqueologia da Universidade de Oxford, examinou 87 genomas de gatos antigos e atuais encontrados em sítios da Europa, Oriente Médio e Ásia. O grupo constatou que os antepassados do gato doméstico eram próximos do Felis lybica lybica, gato-selvagem africano. Esse conjunto genético se espalhou pela Europa durante a expansão do Império Romano há cerca de 2.000 anos.
O segundo levantamento, coordenado por Shu-jin Luo, da Universidade de Pequim, sequenciou o DNA de 22 esqueletos de gatos achados na China e datados dos últimos 5.000 anos. Os resultados mostram que o Felis catus alcançou o território chinês por volta de 730 d.C., provavelmente levado por caravanas da Rota da Seda.
Felinos que conviveram, mas não foram domesticados
Antes da chegada dos gatos domésticos, os chineses dividiam espaço com outra espécie, o Prionailurus bengalensis, conhecido como gato-de-bengala ou gato-leopardo. Evidências indicam que esse animal viveu em assentamentos humanos entre 5.400 a.C. e 150 d.C., formando uma relação de benefício mútuo: ele caçava roedores atraídos pelos estoques de grãos, enquanto encontrava alimento constante.
Apesar da convivência de mais de 3.500 anos, o gato-de-bengala nunca chegou a ser domesticado. Pesquisadores sugerem que a reputação de predar galinhas — motivo pelo qual é chamado no folclore chinês de “tigre caçador de galinhas” — acabou afastando a espécie dos vilarejos, sobretudo após mudanças na criação de aves durante e depois da dinastia Han (202 a.C.–220 d.C.).
Lacunas que ainda persistem
Os autores dos estudos reconhecem que a ausência de amostras arqueológicas do Norte da África e do Sudoeste Asiático limita a compreensão total da linha do tempo. Para Jonathan Losos, biólogo da Universidade Washington em St. Louis, a forte presença de gatos na iconografia do Egito Antigo reforça a importância da região, mas ainda não confirma se ali ocorreu todo o processo de domesticação.
Enquanto novas escavações e análises de DNA não preenchem essas lacunas, a trajetória dos gatos mantém certo mistério — fiel ao comportamento muitas vezes arisco dos próprios felinos.
Imagem: cnnbrasil.com.br
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Em resumo, os estudos revisam a origem geográfica dos gatos domésticos para o Norte da África, demonstram sua expansão pela Europa em época romana e detalham a chegada à China no século VIII, além de identificar a coexistência histórica com o gato-de-bengala asiático.
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Com informações de CNN Brasil



