Documento de 2021 indica que diretora do Fed declarou imóvel em Atlanta como casa de férias

Uma estimativa de empréstimo emitida em 28 de maio de 2021 pela cooperativa de crédito Bank-Fund Staff Federal Credit Union aponta que Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), classificou um imóvel adquirido em Atlanta como “casa de férias”. O documento, analisado pela agência Reuters, foi produzido semanas antes da conclusão da compra e registra que a propriedade não seria usada como residência principal.

A informação contraria acusação do governo Donald Trump, liderada pelo diretor da Agência Federal de Financiamento Habitacional (FHFA), Bill Pulte, de que Cook teria informado simultaneamente o imóvel de Atlanta e outro em Ann Arbor, Michigan, como residências principais para obter condições hipotecárias e fiscais favorecidas. A alegação foi encaminhada ao Departamento de Justiça, gerou investigação federal e um pedido de Trump para demitir a dirigente, que permanece no cargo e entrou com ação judicial para barrar a destituição.

Especialistas do setor imobiliário ouvidos pela Reuters consideram que a estimativa de empréstimo reforça a defesa de Cook, pois demonstra que, no processo de financiamento, ela comunicou ao credor a intenção de uso sazonal da casa na Geórgia. O contrato padrão de hipoteca arquivado no condado de Fulton menciona o imóvel como “residência principal” apenas “a menos que o credor concorde de outra forma por escrito” – cláusula que, segundo os analistas, é atendida pelo documento de 2021.

Outro ponto favorável à diretora do Fed é a ausência de pedido de isenção de impostos como residência principal para a propriedade em Atlanta, conforme registros fiscais do condado. Além disso, em dezembro de 2021, Cook classificou o endereço como “segunda casa” em formulário de segurança nacional (SF-86) entregue ao governo dos Estados Unidos.

A FHFA não comentou a existência do documento de maio de 2021. Cook, que também possui um imóvel de investimento em Massachusetts, já negou qualquer irregularidade. A Reuters não conseguiu contato com a executiva; o Bank-Fund Staff Federal Credit Union também não se manifestou.

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Imagem: Mark Schiefelbein via valor.globo.com

O caso ocorre em meio ao esforço de Donald Trump para ampliar a influência sobre o Fed, instituição que o ex-presidente pressiona publicamente a reduzir juros desde o seu retorno à Casa Branca. As finanças de outros funcionários de governo e familiares também têm sido alvo de escrutínio, inclusive do próprio Bill Pulte, cujo pai e madrasta tiveram benefícios fiscais revogados após reportagens revelarem declarações duplas de residência.

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Com informações de Valor Econômico