O índice Dow Jones saltou 1,7% e fixou novo recorde em 51.562,12 pontos na quinta-feira (4), ao mesmo tempo em que o barril do Brent desabou 2,84% e o ouro subiu 0,85%, refletindo a realocação global de capitais diante da escalada de eventos no Oriente Médio e da expectativa por dados de emprego nos Estados Unidos.
Wall Street registra rotação setorial e novo ápice do Dow Jones
A sessão norte-americana foi marcada pela migração de fluxos do segmento de tecnologia para setores tradicionais. O Dow Jones — composto por 30 companhias de elevado valor de mercado — avançou 875 pontos, impulsionado por UnitedHealth (+5%), JPMorgan (+3,36%) e Walmart (+1%). Fora do índice, Costco e Eli Lilly também exibiram ganhos superiores a 1% e 4%, respectivamente.
O S&P 500 encerrou o pregão com alta contida de 0,41%, limitada pela pressão vendedora em tecnologia, enquanto o Nasdaq recuou 0,09%. O principal catalisador negativo foi Broadcom, cujo resultado trimestral frustrou projeções, provocando queda de 14% em suas ações. O movimento contaminou o ETF de semicondutores VanEck SMH (-2%), além de Arm Holdings (-4%) e Micron Technology (-8%).
Analistas classificam o episódio como uma rotação setorial defensiva, fenômeno comum quando investidores buscam mitigar risco após valorização concentrada em temas como inteligência artificial, predominante nos meses anteriores.
Commodities reagem a sinais de cessar-fogo e comentários do governo dos EUA
No mercado de energia, notícias sobre possível distensão entre Israel e Líbano, bem como declarações do presidente Donald Trump sobre um acordo com o Irã, derrubaram os preços do petróleo. O contrato WTI para julho, negociado na Nymex, recuou 3,1% e fechou a US$ 93,04 por barril. O Brent para agosto, referência global, perdeu 2,84%, terminando a US$ 95,03.
A descompressão da energia ajudou a reduzir expectativas inflacionárias, pressionando yields dos Treasuries e o dólar. Esse ambiente favoreceu a compra de ativos de proteção: o ouro na Comex avançou para US$ 4.505,00 a onça-troy, enquanto a prata ganhou 0,38%, atingindo US$ 73,97 por onça-troy.
Segundo o TD Securities, os metais preciosos se beneficiam da percepção de trégua momentânea, mas permanecem sensíveis a qualquer reversão diplomática ou surpresa na inflação norte-americana.

Mercados europeus e asiáticos monitoram BCE e payroll
Na Europa, os principais índices acompanharam o humor positivo de Wall Street. O CAC 40 (Paris) liderou com ganho de 1,15%, seguido por DAX (Frankfurt) +0,48%, FTSE MIB (Milão) +0,27%, IBEX 35 (Madri) +0,37% e FTSE 100 (Londres) +0,27%. A exceção foi PSI 20 (Lisboa), que recuou 0,88%.
Entre as companhias europeias, Nokia (-6%) refletiu o contágio do setor de chips, ao passo que a alemã SAP contrariou a tendência e subiu 5,5%. Destaque adicional para Rémy Cointreau, em disparada de quase 10% após anunciar plano de expansão de EBIT em € 100 milhões até 2029.
O panorama asiático foi inverso: os principais parques acionários fecharam em queda, reagindo ao declínio de Wall Street na véspera. Os índices mais afetados foram Kospi (Seul) ‑1,84%, Hang Seng (Hong Kong) ‑1,48%, Taiex (Taiwan) ‑1,68% e Nikkei (Tóquio) ‑1,36%. Em Xangai e Shenzhen, as retrações ficaram em 0,64% e 0,41%, respectivamente.
No radar dos investidores europeus está a reunião do Banco Central Europeu (BCE) agendada para a próxima semana. Relatórios de Fitch e KBC Bank indicam expectativa de elevação dos juros, já amplamente precificada pelos mercados. Além disso, as vendas no varejo da zona do euro caíram 0,4% em abril, levemente inferior ao consenso.
Conclusão Técnica
O conjunto de indicadores revela mudança expressiva no posicionamento de risco global: ganho histórico do Dow Jones, desvalorização do petróleo e fortalecimento dos metais preciosos decorreram da combinação entre tensões geopolíticas, rotação setorial e expectativa por política monetária. Nas próximas horas, o foco recai sobre o payroll de maio, cujos resultados tendem a calibrar projeções para a taxa básica do Federal Reserve. Em paralelo, a reunião do BCE e a reabertura da B3 nesta sexta-feira (5) ampliarão a sensibilidade dos ativos domésticos, podendo redistribuir fluxos de capitais conforme a leitura do mercado sobre inflação, crescimento e riscos geopolíticos.



