Encontro do FMI discute impacto de tarifas dos EUA, bolha de IA e recorde de endividamento

Ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais iniciam nesta semana, em Washington, as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial tendo diante de si três focos de tensão: novas tarifas comerciais dos Estados Unidos contra a China, a valorização acelerada das empresas de inteligência artificial e o avanço da dívida global para quase US$ 338 trilhões.

O encontro ocorre após o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar aplicar, em 1º de novembro, uma tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses. A medida reacendeu temores de desaceleração do comércio, já que a Organização Mundial do Comércio projeta expansão de apenas 0,5% no volume de mercadorias em 2026, contra 2,4% estimados para este ano.

Embora as tarifas anteriores tenham tido impacto menor que o previsto, analistas alertam que o choque tarifário tende a reduzir o consumo nos EUA nos próximos trimestres. Estudo do Citigroup prevê que o crescimento mundial pode cair para menos de 2% na segunda metade de 2026, enquanto a Bloomberg Economics projeta avanço de 3,2% no PIB global em 2025 e 2,9% em 2026.

No mercado acionário, o índice S&P 500 subiu 32% desde a mínima de abril, impulsionado pelo entusiasmo em torno da IA e por investimentos recordes em data centers. Ainda assim, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, alertou que as avaliações das empresas de tecnologia se aproximam dos níveis da bolha pontocom do ano 2000, o que pode ameaçar a estabilidade financeira caso ocorra correção brusca.

Paralelamente, o endividamento global cresceu mais de US$ 21 trilhões no primeiro semestre e alcançou novo pico, segundo o Institute of International Finance. A escalada da dívida será tema central em Washington, assim como a linha de crédito de US$ 20 bilhões para sustentar o peso argentino. O FMI já concordou em ampliar o apoio financeiro ao país, apesar da controvérsia interna.

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Dados recentes reforçam o ambiente de cautela. Nos Estados Unidos, o emprego desacelerou e o setor manufatureiro perdeu postos de trabalho por quatro meses consecutivos. A China registrou o sexto recuo mensal seguido em sua atividade industrial, enquanto a Alemanha revisou para baixo o resultado do segundo trimestre, impactada pela fraqueza das exportações de automóveis.

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Imagem: SHAWN THEW via valor.globo.com

Economistas do HSBC observam que o avanço de estoques gerado pelo receio das tarifas deve, mais cedo ou mais tarde, pressionar as exportações globais. Já empresas importadoras, como a norte-americana Acme Food Sales, alertam que o repasse de custos ao consumidor é inevitável, o que pode testar a resiliência da demanda mundial.

Com tantos vetores de risco, os formuladores de políticas chegam a Washington em busca de soluções que contenham a escalada das tensões comerciais, amenizem o perigo de uma bolha em tecnologia e estabeleçam caminhos sustentáveis para o endividamento público e privado.

Para acompanhar outras análises sobre o cenário econômico, visite a seção Economia do Capital Financeiro.

Com informações de Valor Econômico

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