Brasília – O patamar elevado do juro real no País é resultado direto do descontrole nas contas públicas e do crescimento da dívida do governo, de acordo com a maioria dos economistas ouvidos em estudo recém-publicado. O diagnóstico considera a relação entre a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) e o Produto Interno Bruto (PIB) como principal termômetro dessa deterioração.
Especialistas explicam que o desajuste fiscal pressiona não só a taxa básica efetivamente praticada, mas também a chamada “taxa neutra” – nível de juros que permitiria a inflação convergir para a meta e o Produto Interno Bruto operar em seu potencial. Apesar de reconhecida, essa correlação não é linear e permanece difícil de ser quantificada com precisão.
Dados citados no levantamento lembram que, entre 2008 e 2009, a taxa básica de juros real (Selic descontada a inflação) atingiu média de 8,5% ao ano, indicador que revela a persistência de custos financeiros altos sob diferentes conjunturas econômicas.
Analistas destacam ainda que a manutenção de déficits recorrentes aumenta a percepção de risco sobre a trajetória da dívida pública. Esse cenário leva investidores a exigir retornos mais robustos, pressionando as taxas reais para cima – efeito sentido tanto no curto quanto no longo prazo.
Nesse contexto, o desafio para reduzir o juro real passa por medidas de consolidação fiscal capazes de sinalizar sustentabilidade ao endividamento. A avaliação é que ajustes estruturais nas contas públicas ajudariam a baixar a taxa neutra, permitindo cortes mais consistentes na Selic sem comprometer o controle inflacionário.
Imagem: Claudio Adilson Gonçalez via estadao.com.br
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Com informações de Estadão



