Eleição de 2026 é veredito sobre o legado de Lula e pode disparar o Ibovespa, aponta Walter Maciel

O desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições de 2026 foi interpretado pelo mercado como um referendo direto sobre seu legado, segundo avaliação de Walter Maciel, CEO da gestora AZ Quest; o executivo prevê reação expressiva da Bolsa já na abertura do pregão.

Eleição convertida em julgamento político

Para Walter Maciel, a disputa presidencial deste ano ultrapassou o mero embate entre partidos e tornou-se um “último jogo” para o ex-presidente Lula. O gestor destaca que a votação funcionou como um plebiscito sobre os três mandatos do petista e sobre a condução atual do Palácio do Planalto. “Essa eleição é a última Copa dele”, declarou o executivo durante transmissão ao vivo do canal Market Makers. A interpretação ganhou tração nas mesas de operação porque o resultado mostrou rejeição relevante de parte do eleitorado ao projeto político do atual governo, abrindo margem para a oposição liderada por Flávio Bolsonaro.

Agenda evitada pelo governo amplia desgaste eleitoral

Maciel elencou três temas que, segundo ele, foram postergados ou minimizados pelo Planalto desde janeiro de 2023: segurança pública, corrupção e política econômica. A ausência de respostas claras em relação a esses pontos teria pesado sobre o sentimento do eleitor, transformando a eleição em um “julgamento” do governo. “Desde o dia 1, o presidente não quis tratar de segurança, corrupção e economia”, afirmou. A lacuna no debate, de acordo com o gestor, também afetou candidatos que tentaram manter neutralidade; “quem ficou em cima do muro apanhou”, sintetizou.

Mercado projeta reação de dois dígitos no Ibovespa

A repercussão imediata chegou antes mesmo da abertura da B3. Na noite de domingo, o EWZ — principal ETF de ações brasileiras negociado na NYSE — avançou 7%, sinalizando apetite estrangeiro por risco Brasil. Maciel estima que o Ibovespa pode subir cerca de 10% no pregão desta segunda-feira (5). Para investidores institucionais, o movimento tende a refletir expectativas de agenda econômica mais liberal caso a oposição confirme vantagem no segundo turno. O salto pode ainda ser potencializado pela liquidez limitada do mercado local em dias de forte fluxo externo.

Fundamentos macroeconômicos robustos versus deterioração fiscal

Embora o ambiente político gere incertezas, o CEO da AZ Quest afirma que os fundamentos macroeconômicos do país atravessam “um dos melhores momentos em décadas”. Entre os vetores positivos, ele menciona:

Eleição de 2026 é veredito sobre o legado de Lula e pode disparar o Ibovespa, aponta Walter Maciel - Imagem do artigo original

  • Superávits recorrentes na balança comercial de commodities como alimentos e petróleo;
  • Reservas internacionais acima de US$ 340 bilhões;
  • Mercado interno “vibrante”, com consumo resiliente.

Entretanto, o gestor faz um alerta: a deterioração fiscal permanece como risco estrutural. O avanço de despesas obrigatórias e a dificuldade para elevar receitas podem empurrar o déficit primário para patamares superiores a 1,5% do PIB em 2027, segundo estimativas preliminares de casas de análise. “Temos um problema fiscal que pode nos levar para a UTI”, resumiu. Caso não haja contenção de gastos e reforma tributária efetiva, o prêmio de risco tende a subir, pressionando juros longos e câmbio.

Conclusão técnica e próximos passos

A leitura de Walter Maciel reforça a percepção de que o segundo turno transcenderá o tradicional confronto de campanhas, consolidando-se como plebiscito sobre políticas públicas, especialmente nas áreas de segurança, combate à corrupção e equilíbrio das contas públicas. Paralelamente, a sinalização de alívio de risco já precificada em ativos como o EWZ indica que investidores antecipam mudanças na orientação econômica caso haja alternância no poder. A volatilidade deverá permanecer elevada até a definição final das urnas, com o Ibovespa reagindo a cada nova pesquisa e a declarações dos principais candidatos. O quadro fiscal continuará no centro das atenções, uma vez que sua trajetória determinará a sustentabilidade dos fundamentos macroeconômicos destacados pelo mercado.

0

Carregando conteúdo…