Em duas reuniões fechadas realizadas na manhã de sexta-feira, 14, economistas do mercado financeiro apresentaram avaliações distintas sobre o momento adequado para o Banco Central (BC) iniciar a redução da taxa básica de juros, a Selic. Os encontros ocorreram na sede da autoridade monetária e contaram com a participação de diretores do BC.
Segundo apurou o Valor, o primeiro grupo reunia profissionais com visão mais hawkish, isto é, defensores de uma postura ainda restritiva da política monetária. Esses participantes demonstraram cautela em relação à inflação e defenderam mais sinais concretos de convergência dos preços antes de qualquer corte na Selic.
Na segunda reunião, predominou a percepção de que a atividade econômica dá sinais mais claros de desaceleração. Entre esses economistas, houve maior consenso de que o ciclo de afrouxamento pode começar em breve, acompanhando a perda de fôlego do crescimento e a expectativa de inflação em queda.
A diferença de avaliação também se estendeu à intensidade do possível ciclo de corte. Enquanto os mais conservadores sustentam que os ajustes devem ser graduais, parte do grupo que vê desaceleração econômica pondera que o BC poderia proceder com reduções mais significativas, caso os indicadores confirmem a trajetória benigna dos preços.
Os encontros fazem parte da prática recorrente do Banco Central de ouvir representantes do mercado antes das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), agendadas para definir a Selic. O resultado dessas conversas, no entanto, não antecipa a decisão do colegiado, mas fornece subsídios à análise sobre o cenário macroeconômico.
O próximo encontro do Copom acontece no fim deste mês, quando os diretores do BC vão avaliar a inflação corrente, as projeções para os próximos anos e o ritmo da atividade antes de decidir se mantêm ou reduzem a taxa hoje em 13,75% ao ano.

Imagem: Andressa Andressa via valor.globo.com
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Com informações de Valor Econômico



