Espaçolaser reformula capital e adota tecnologia nacional para neutralizar impacto da Selic recorde

Introdução (Lead): A Espaçolaser — maior rede de depilação a laser do mundo — reorganizou seu plano de crescimento após perder mais de 96 % do valor de mercado desde o IPO em 2021. Com a Selic mantida em 14 % ao ano, a companhia passou a privilegiar projetos de retorno acelerado, migração tecnológica e gestão rigorosa de caixa, revelou a CEO Magali Leite em entrevista recente.

Pressão acionária persiste mesmo com ajustes operacionais

As ações ESPA3 acumulam queda aproximada de 33 % em 2026, ampliando a desvalorização para 96 % desde a abertura de capital. No 2T26, a rede registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 134 mil — reversão do lucro de R$ 8,8 milhões apurado um ano antes. Pelo critério contábil, a perda atingiu R$ 5,8 milhões.

A receita líquida encolheu 3,5 %, encerrando o trimestre em R$ 257,4 milhões. Já o Ebitda ajustado recuou 23,5 %, para R$ 49,4 milhões, comprimindo a margem para 19,2 % (queda de cinco pontos percentuais). Apesar disso, a dívida líquida diminuiu R$ 21,1 milhões em 12 meses, chegando a R$ 526 milhões e reduzindo a alavancagem para 1,88x Ebitda.

Eficiência operacional ganha tração com tecnologia nacionalizada

O grupo direciona 95 % da base de equipamentos ao novo sistema de refrigeração da pele, eliminando consumíveis dolarizados e economizando R$ 14,3 milhões nos últimos doze meses. A atualização também reduz a sensação de dor, atraindo públicos antes reticentes, sobretudo o masculino, cujo crescimento de demanda foi de 79 % entre 2021 e 2025.

Paralelamente, a adoção de máquinas de um fabricante brasileiro exclusivo mitiga a exposição cambial, traz custos fixados em reais e abre acesso a linhas do BNDES com condições mais competitivas. Hoje, 40 % do parque tecnológico concentra-se no eixo Rio–São Paulo, fortalecendo presença em polos de maior densidade populacional.

Gestão de pagamentos reforça caixa e qualidade de recebíveis

Para equilibrar o capital de giro, a companhia implantou o CDP — Cliente Decide o Pagamento, modelo que ajusta preços conforme a forma escolhida (Pix, cartão tradicional ou recorrente). No encerramento do trimestre, 361 lojas próprias e 118 franquias operavam nessa lógica, com migração completa prevista para o 3T26.

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A aposta central reside na modalidade recorrente, comparável a um serviço de assinatura. Nas lojas piloto, 50 % das vendas já ocorrem nesse formato, reduzindo risco de inadimplência e estabilizando o fluxo de caixa. Segundo a administração, a estratégia diminui a utilização do limite de crédito do consumidor sem comprometer volume de vendas no médio prazo.

Expansão seletiva prioriza retorno rápido e novos nichos

A rede abandonou o conceito de “loja a qualquer custo” e adotou a expansão por segunda sala: inclusão de um consultório adicional em unidades maduras. A medida exige menor investimento e pode elevar a receita entre 30 % e 50 % por ponto. Até o momento, 14 unidades receberam a melhoria.

A empresa também acelera a adoção do laser Nd:YAG, indicado para peles negras e miscigenadas, grupo que soma 50 % da população brasileira. A diversificação inclui ainda adolescentes, mulheres na menopausa e o público masculino, ampliando o market share potencial.

Conclusão Técnica

Os números do 2T26 confirmam que a Espaçolaser ainda enfrenta margens pressionadas e recuperação acionária limitada. Entretanto, a redução da alavancagem, a nacionalização de equipamentos e o redesenho dos meios de pagamento fornecem alívio imediato ao custo de capital em um ambiente de Selic elevada. A continuidade da migração tecnológica, a consolidação do modelo recorrente e a expansão seletiva por nichos específicos serão vetores decisivos para a companhia recuperar rentabilidade e, em consequência, atratividade aos investidores nos próximos trimestres.