Estrangeiros impulsionam Ibovespa e adiam protagonismo das small caps, diz Trígono Capital

O forte fluxo de investidores estrangeiros para a B3 em 2026 tem mantido o Ibovespa à frente das small caps, segundo Werner Roger, diretor de investimentos da Trígono Capital. De janeiro até 18 de fevereiro, o principal índice da bolsa acumula alta superior a 15%, enquanto o SMLL, que reúne ações de menor capitalização, avança perto de 11%.

Roger avalia que o dinheiro internacional está migrando dos mercados desenvolvidos para emergentes em busca de diversificação diante das incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos, de temores de uma possível bolha de inteligência artificial e do início do ciclo de queda dos juros norte-americanos. Esse capital, porém, chega ao Brasil por meio de veículos passivos, como o MSCI Brasil ou fundos que replicam o Ibovespa, deixando as small caps em segundo plano.

Distribuição desigual de recursos

De acordo com o gestor, a cada US$ 100 milhões direcionados ao mercado brasileiro, cerca de US$ 95 milhões são aplicados em companhias de grande porte, enquanto apenas US$ 5 milhões alcançam as empresas do SMLL. “O estrangeiro compra a tese do país, não papéis específicos. Ele faz isso por índices”, afirma.

A virada para as small caps depende, na visão de Roger, de dois fatores: maior visibilidade da trajetória de corte de juros nos Estados Unidos, que ampliaria a liquidez global, e uma mudança do investidor internacional de gestão passiva para ativa, permitindo a escolha de empresas com base em fundamentos.

Impacto dos juros locais e seleção criteriosa

No Brasil, a redução da Selic também tende a favorecer companhias menores, pois diminui a taxa de desconto de projeções de fluxo de caixa. Contudo, o CIO alerta que o benefício não é automático: empresas muito endividadas podem ver o passivo crescer em um cenário de economia aquecida.

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Dez ações no radar da Trígono

A gestora mantém posições em 10 small caps que, segundo Roger, combinam resiliência financeira e potencial de valorização:

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Imagem: seudinheiro.com

  • Agronegócio: São Martinho (SMTO3), 3tentos (TTEN3) e Kepler Weber (KEPL3)
  • Construção: Lavvi (LAVV3), Moura Dubeux (MDNE3) e Cyrela (CYRE3)
  • Petróleo: Prio (PRIO3)
  • Educação: Ser Educacional (SEER3)
  • Saneamento: Copasa (CSMG3)
  • Mineração: Aura Minerals (AURA33, BDR)

No agronegócio, Roger destaca a elevada eficiência da São Martinho em açúcar e etanol, o modelo de agroindústria verticalizado da 3tentos e o potencial de crescimento da Kepler Weber diante do déficit crônico de armazenagem no país. Entre as construtoras, a visão é de retomada do setor com a queda de juros, enquanto Prio se beneficia do bom momento operacional no segmento de óleo e gás.

Para o gestor, o segundo “capítulo” do fluxo estrangeiro – com foco ativo em companhias menores – deve ocorrer se o ambiente externo permanecer favorável aos emergentes. Até lá, o Ibovespa segue sendo o principal destino do capital internacional.

Para entender mais sobre o contexto macroeconômico que influencia esses movimentos, acesse a seção de Economia no Capital Financeiro.

Com informações de Seu Dinheiro

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