O primeiro fundo negociado em bolsa (ETF) lastreado em dogecoin (DOGE) tem estreia confirmada para a próxima quinta-feira, 18 de setembro, em Wall Street. O produto será comercializado sob o ticker DOJE e foi estruturado pelas gestoras REX Shares e Osprey Funds, marcando a estreia de uma memecoin no mercado de capitais norte-americano.
Demanda potencial e riscos
Para Valter Rebelo, analista de criptoativos da Empiricus, a presença do ETF tende a ampliar a procura pela DOGE, mas pode expor o ativo a novas fragilidades. Ele lembra que algumas empresas cogitam manter tesourarias em dogecoin, à semelhança do que ocorre com o bitcoin, porém muitas recorrem à alavancagem por não gerarem caixa suficiente. “Em cenários de juros elevados e inflação crescente, esses modelos podem ser rapidamente desmontados”, alerta.
Rebelo acrescenta que o interesse de investidores tradicionais por memecoins é limitado e deve concentrar-se em poucos nomes, mesmo havendo milhares desses tokens no mercado.
Comparação com outros ETFs de cripto
Paulo Aragão, apresentador do podcast Giro Bitcoin, cita o ETF de solana (SOL) lançado pelas mesmas gestoras, que recebeu fluxo relevante nas primeiras semanas, mas volumes muito menores que os observados em fundos de bitcoin e ether. Segundo ele, a diferença agora é o alto engajamento da comunidade da DOGE. “A questão é saber se esse engajamento vira demanda consistente no mercado institucional, que costuma ser mais criterioso”, observa.
Estrutura regulatória
O ETF de dogecoin foi registrado pelo Investment Company Act de 1940, em vez de seguir a rota tradicional do Securities Act de 1933. Para André Franco, CEO da Boost Research, o caminho alternativo impõe algumas restrições, mas abre espaço para que o produto chegue ao pregão. “Será fundamental acompanhar os primeiros dias para medir o apetite de Wall Street”, afirma.
Sarah Uska, analista do Bitybank, avalia que a novidade pode impulsionar o interesse por outras memecoins. Contudo, ela ressalta que, diferentemente de bitcoin e ether, a DOGE sustenta-se basicamente em narrativa: “É um ativo cuja valorização depende do sentimento de comunidade”.

Imagem: Reprodução via valor.globo.com
Perspectiva técnica
A analista e trader Ana de Mattos, parceira da Ripio, projeta volatilidade acentuada no curto prazo. “ETFs costumam inflar a demanda nas primeiras semanas, mas depois pode haver correção”, diz. Ela lembra que a DOGE já subiu 92% desde o fundo de US$ 0,12986 em abril e hoje ronda US$ 0,25. Os alvos imediatos são US$ 0,28 e, em caso de rompimento com volume, US$ 0,33. Os suportes estão em US$ 0,23 e US$ 0,22.
Com valor de mercado aproximado de US$ 37 bilhões, a dogecoin passa a integrar oficialmente o portfólio de produtos negociados em bolsa nos Estados Unidos, adicionando mais um capítulo ao processo de institucionalização do universo cripto.
Para entender como oscilações macroeconômicas podem afetar seus investimentos, consulte nossa seção de Economia.
Com informações de Valor Econômico



