O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, deve voltar a prestar depoimento à Polícia Federal (PF) no inquérito que investiga supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Segundo a defesa, o pedido para uma nova oitiva foi feito em 30 de dezembro de 2025, logo após audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de esclarecer dúvidas que permaneceram após o primeiro relato.
Em nota, o advogado Cleber Lopes afirmou que a solicitação foi endereçada à delegada responsável ainda no mesmo dia, tendo ela concordado em remarcar o depoimento. “Estamos apenas aguardando que seja definida a data. Simples assim”, declarou o defensor, rebatendo especulações sobre um possível acordo de colaboração premiada.
Contexto da investigação
O inquérito deriva da Operação Compliance Zero, deflagrada para apurar um suposto esquema de cessões de crédito que, segundo a PF, pode ter causado prejuízos estimados em R$ 12,2 bilhões ao BRB e ao Banco Master. Durante a operação, foram apreendidos equipamentos eletrônicos que passaram por perícia, cujos resultados motivam o interesse da defesa em apresentar novos esclarecimentos.
Fontes ligadas à investigação ouvidas pelo Valor afirmam que ainda não há total compreensão sobre a dinâmica das cessões de crédito analisadas, lacuna que o próximo depoimento poderá suprir. A defesa de Costa sustenta que documentos de governança do BRB demonstrariam processos colegiados e rastreamento interno suficientes para impedir qualquer combinação irregular.
Defesa descarta delação
Ao negar negociações para delação, Cleber Lopes reforçou que o depoimento é “apenas parte natural do procedimento” e tem como finalidade explicar “eventuais contradições”. O advogado acrescentou que a equipe jurídica pretende levar aos autos relatórios internos, atas de comitês e outras provas de governança que, segundo ele, corroboram a versão de que não houve fraude por parte do ex-dirigente.
Enquanto aguarda o agendamento, a defesa argumenta que a colaboração de Costa pode acelerar o esclarecimento dos fatos, sobretudo no que diz respeito à estrutura das operações de cessão de crédito realizadas entre 2020 e 2022, período que concentra a maior parte das movimentações sob investigação.
Imagem: valor.globo.com
O BRB não comentou o caso. O Banco Master informou que segue colaborando com as autoridades.
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Com informações de Valor Econômico



