Expectativas para o “Uptober”: desempenho histórico do bitcoin e impactos da política monetária dos EUA

Bitcoin inicia outubro sob atenção redobrada dos investidores após encerrar setembro com alta de 6,41%; análises da Empiricus Research indicam que o mês, historicamente favorável – conhecido como “Uptober” –, pode consolidar novo ciclo de valorização, influenciado pela expectativa de manutenção dos juros norte-americanos em 3,75%-4,00% ao ano.

Histórico de “Uptober” e métricas de desempenho

Desde a criação do bitcoin, outubro apresenta a maior frequência de retornos positivos entre todos os meses do calendário. Levantamento da Empiricus Research revela que, em 11 dos 13 últimos anos, a criptomoeda registrou ganhos no período, com mediana de valorização superior a 15%.

Esse padrão estatístico sustenta o termo “Uptober”, resultante da junção de “up” (para cima) com “October” (outubro). Na série histórica analisada, a maior alta ocorreu em 2013, quando o bitcoin avançou mais de 50% em trinta dias. Mesmo em ciclos de baixa, como em 2018, o recuo de outubro foi menos acentuado que a média anual, reforçando a resiliência do período.

No encerramento de setembro de 2026, o ativo alcançou o patamar de US$ 83 mil após sequência de duas valorizações mensais seguidas: 25% em agosto e os já mencionados 6,41% em setembro. Segundo Luiz Kuniyoshi, especialista em criptoativos da casa de análise, o movimento indica “pausa técnica” antes de nova tentativa de avanço.

Além do bitcoin, 85 das 100 maiores criptomoedas superaram o desempenho do líder de mercado em setembro, sinalizando rotação de capital para ativos de menor capitalização. A partir de outubro, a projeção é de retomada da dominância do BTC, seguida por possível nova migração para as altcoins.

Influência da política monetária dos Estados Unidos

O principal catalisador para ativos de risco em outubro é a trajetória dos Federal Funds. Em setembro, o Federal Reserve elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, marcando o primeiro ajuste em três anos e fixando o intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano.

Até meados do mês passado, os contratos futuros indicavam probabilidade majoritária de novo aumento na reunião de 27-28 de outubro. Entretanto, dados econômicos recentes afastaram essa perspectiva, e as projeções compiladas pela CME FedWatch apontam 80% de chance de manutenção.

Para o mercado cripto, a possível estabilização dos juros reduz o custo de oportunidade de aplicações de maior volatilidade. Segundo Kuniyoshi, “o alívio monetário fortalece a tomada de risco, cenário que costuma potencializar o desempenho de bitcoin e altcoins em meses já tradicionalmente positivos”.

Historicamente, movimentos de alta do BTC correlacionam-se com fases de política monetária menos restritiva. Entre março e novembro de 2020, por exemplo, o afrouxamento das taxas dos EUA coincidiu com valorização superior a 300% na criptomoeda.

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Potencial de valorização das altcoins e nanocoins

Embora o bitcoin concentre a atenção, a Empiricus Research destaca oportunidade ampliada em criptomoedas de menor capitalização – as chamadas nanocoins, avaliadas abaixo de US$ 1 bilhão. Esses ativos exibem beta mais elevado e, por consequência, podem multiplicar ganhos em caso de cenário positivo para o mercado amplo.

Exemplos recentes reforçam a tese: entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, o token Axie Infinity (AXS) avançou cerca de 32 000%; já o ativo Ethervista (VISTA) registrou salto de 1 000% em sete dias. Operações desse tipo, entretanto, envolvem volatilidade extrema e risco proporcionalmente maior.

Para sistematizar a captura dessas movimentações, a equipe da Empiricus desenvolveu algoritmos proprietários que operam na corretora OKX via módulo Copytrades Spot. Nos últimos 90 dias, o sistema liderou o ranking de rentabilidade da plataforma, superando centenas de traders independentes.

Embora a tecnologia prometa replicar estratégias vencedoras, o próprio relatório da casa enfatiza que retornos passados não asseguram ganhos futuros, e perdas integrais de capital permanecem possíveis em ambientes de forte oscilação.

Conclusão Técnica

As estatísticas históricas sugerem que outubro continua sendo mês propício para o bitcoin, sustentado por probabilidade elevada de estabilidade nos juros norte-americanos e por recuperação gradual dos preços desde agosto. Caso se confirme a manutenção da taxa em 3,75%-4,00%, o apetite por risco tende a permanecer, favorecendo não apenas o BTC, mas também altcoins e nanocoins.

Para investidores institucionais e de varejo, o cenário exige monitoramento atento de indicadores macroeconômicos – especialmente as comunicações do Federal Reserve – e de métricas on-chain que sinalizem fluxo de capitais para o mercado cripto. A continuidade ou não do “Uptober” dependerá da combinação desses vetores, com potencial de novas máximas caso as condições de liquidez global permaneçam favoráveis.

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