Exposição na Fortaleza de Maputo destaca paralelos entre periferias de Moçambique e Brasil

A mostra “Do Morro ao Mar”, inaugurada na Fortaleza de Maputo, apresenta fotografias, poemas-cartas e objetos naturais que colocam lado a lado vivências de bairros periféricos de Salvador (BA) e de Maputo. Idealizada pelo artista visual brasileiro Josemar Blures de Souza Dias, em atividade desde 2003, a exposição também reúne trabalhos dos conterrâneos Radí Conceição e Emanoel Saravá.

O curador e acadêmico moçambicano Rafael Musinho explicou que a iniciativa evidencia “coincidências” históricas e sociais entre os dois países, marcados por um passado comum ligado à escravidão e pela proximidade com o oceano. “Os materiais mostram como o ‘morro’, expressão usada para periferias brasileiras, dialoga com bairros como Chamanculo e Mafalala, em Maputo”, afirmou.

As peças foram moldadas em barro e cerâmica, remetendo à origem de Salvador, primeira capital brasileira, enquanto dialogam com a construção da atual capital moçambicana. Para Musinho, levar essas referências ao interior da fortaleza — espaço que contribuiu diretamente para o desenvolvimento de Maputo — reforça a importância de ampliar o acesso da população aos museus.

Em entrevista concedida do Brasil, Josemar Blures definiu a exposição como “metáfora de convívio” que sugere novas leituras sobre governança cultural. Ele recordou a visita recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Moçambique, ocasião em que foram celebrados 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países, e defendeu maior apoio estatal às artes como ferramenta de transformação social.

O artista destacou ainda que conhecer o acervo histórico da Fortaleza de Maputo foi decisivo para a montagem final. “Percebemos que não se trata de estabelecer heróis ou derrotados, mas de mostrar processos de mudança”, disse, ressaltando que a mostra propõe perguntas em vez de respostas.

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Imagem: noticiasaominuto.com

Com “Do Morro ao Mar”, curadores e artistas projetam um futuro de cooperação cultural mais intensa entre Moçambique e Brasil, sustentando que a arte deve ocupar papel central na construção de sociedades mais inclusivas.

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Com informações de Notícias ao Minuto

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