Pacientes que dependem de medicamentos imunobiológicos aplicados por via endovenosa enfrentam dificuldades para continuar o tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). O alerta é da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), que cobra a criação de mais centros de infusão públicos e de protocolos específicos para a administração desses remédios.
O problema foi debatido durante o Congresso Brasileiro de Reumatologia, realizado de 17 a 20 de setembro, em Salvador (BA). Segundo o reumatologista Vander Fernandes, coordenador da Comissão de Centros de Terapia Assistida da SBR, “há um vazio entre o paciente retirar o medicamento na farmácia de alto custo e encontrar um local seguro para aplicá-lo”.
Dor constante e longas viagens
Exemplo dessa lacuna é o caso de Fernando Henrique dos Santos, 42 anos, morador de Guarulhos (SP). Diagnosticado primeiro com artrite reumatoide e, em 2024, com espondilite anquilosante, ele precisa receber infliximabe a cada oito semanas. O remédio, de alto custo, é fornecido gratuitamente, mas a aplicação segura não está disponível na rede pública.
Até o rompimento de um contrato entre o laboratório fabricante e o governo paulista, Santos viajava a Mogi das Cruzes, onde o procedimento era oferecido. Hoje, recorre a uma clínica particular na zona leste da capital, paga por convênio. “Pelo SUS eu não consigo fazer o tratamento”, relata.
Perdas financeiras e risco de ineficácia
De acordo com a SBR, muitos imunobiológicos exigem diluição em soro, permanência em cadeia de frio e até seis horas de infusão, além de monitoramento de reações alérgicas. Sem ambiente adequado, o medicamento pode perder eficácia e representar desperdício de recursos públicos.
Levantamento da entidade revela a existência de apenas 61 centros de terapia assistida no país, a maioria privada e concentrada na Região Sudeste. Desses, somente 11 possuem contrato com o SUS. A estimativa é que cerca de 20 mil pacientes dependam do serviço pelo sistema público.
Pesquisa com pacientes
Em julho de 2023, a Biored Brasil entrevistou 761 usuários que recebem remédios de alto custo do SUS. O estudo mostrou que 10% estavam sem local para aplicação e 46% não tinham centro de terapia assistida próximo de casa. Mais da metade pagava, do próprio bolso, entre R$ 150 e R$ 200 por sessão.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Ministério avalia propostas
Procurado, o Ministério da Saúde informou que estuda credenciar pontos de atenção para funcionarem como centros de terapia assistida. O processo está em fase de análises técnicas.
Para a SBR, é necessário que a pasta publique normas de funcionamento, garanta financiamento e permita que estados e municípios credenciem serviços. “Há pessoas com o remédio na mão e sem onde aplicá-lo. Isso não pode continuar”, reforça Vander Fernandes.
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Com informações de Agência Brasil


