O diretor do Federal Reserve (Fed), Christopher Waller, declarou nesta terça-feira (21), em Washington, que o banco central dos Estados Unidos pretende atuar de forma mais proativa na adoção de inovações em meios de pagamento. A afirmação foi feita durante conferência dedicada ao tema, organizada pela própria autarquia.
Segundo Waller, a autoridade monetária avalia a criação de uma espécie de “conta-mestre magrinha” — modalidade que concederia acesso básico aos sistemas de pagamentos do Fed para instituições elegíveis que mantêm a maior parte de suas operações em parceria com bancos que já possuem conta-mestre completa.
“A revolução que está transformando os pagamentos exige mudanças em todas as frentes”, disse o dirigente, ao destacar que o estudo foi encomendado à equipe técnica do Fed. A ideia é oferecer serviços essenciais de liquidação a entidades que, atualmente, dependem de bancos intermediários para participar da infraestrutura de pagamentos da autoridade norte-americana.
Acesso reivindicado por fintechs e criptoempresas
Fintechs e empresas ligadas ao setor de ativos digitais buscam, há anos, acesso direto a contas-mestre do Fed. Entre os casos mais emblemáticos, o Custodia Bank, sediado em Wyoming, processou o Conselho do Fed e o Federal Reserve de Kansas City alegando “atraso ilegal” na análise de seu pedido, protocolado em outubro de 2020. Em decisão favorável ao regulador, os tribunais mantiveram o veto.
Outro exemplo citado por Waller foi o PayServices Bank, focado em pagamentos internacionais e financiamento ao comércio exterior, que ingressou com ação semelhante contra o Fed de São Francisco. Assim como no caso Custodia, a Justiça deu ganho de causa à autoridade monetária.
Apesar das derrotas judiciais, representantes das fintechs comemoraram o anúncio. “É positivo ver um governador do Fed reconhecer publicamente a importância dos bancos que atuam exclusivamente com pagamentos”, afirmou Caitlin Long, fundadora e presidenta do Custodia Bank, em nota enviada à imprensa.
Imagem: Al Drago via valor.globo.com
Stablecoins, tokenização e inteligência artificial
De acordo com Waller, o banco central deseja compreender melhor como alinhar finanças tradicionais e descentralizadas, bem como os usos emergentes de stablecoins e a tokenização de produtos financeiros. O evento em Washington também discutiu o cruzamento entre inteligência artificial e pagamentos, sinalizando a variedade de temas prioritários na agenda de inovação do Fed.
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O Fed não divulgou cronograma para conclusão dos estudos sobre a conta-mestre simplificada.
Com informações de Valor Econômico



