Brasília, terça-feira — A passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelos Estados Unidos terminou sem os encontros de alto nível que ele pretendia. O parlamentar buscava ser fotografado ao lado do senador republicano Marco Rubio, mas acabou se reunindo apenas com o deputado Jim Jordan, ligado à ala mais radical do Partido Republicano, e com o blogueiro Paulo Figueiredo.
De volta ao Brasil, Flávio visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e negou ter solicitado agenda com Rubio. “Seria uma honra me encontrar com ele, mas não pedi”, declarou, acrescentando que participou de “reuniões estratégicas e reservadas” não divulgadas publicamente.
Próximos destinos e articulação internacional
Apesar do revés nos EUA, o senador mantém planos de viajar a Israel na próxima semana, a convite do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Depois, pretende se reunir com representantes da ultradireita francesa. A agenda é coordenada pelo irmão Eduardo Bolsonaro, que perdeu o mandato de deputado federal após sucessivas ausências em plenário.
Recuos de aliados no cenário doméstico
Enquanto projeta nova incursão internacional, Flávio recebeu duas notícias desfavoráveis no front interno. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou não ter interesse em compor como vice em eventual chapa presidencial liderada pelo senador. Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a sinalizar preferência pela candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A relação com Tarcísio também não evolui: desde que Flávio foi indicado pelo pai como possível cabeça de chapa para 2026, o governador paulista tem evitado encontros públicos com o senador. Mesmo assim, Flávio afirmou não estar preocupado. “No momento certo, ele vai declarar um apoio mais explícito”, disse.
Lembrança de tentativa trumpista
No ano passado, os filhos de Jair Bolsonaro apostaram em uma intervenção do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para livrar o pai de uma eventual prisão. A estratégia fracassou: o Supremo Tribunal Federal resistiu aos ataques e condenou o ex-mandatário a 27 anos de prisão. Trump, por sua vez, aproximou-se do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e revogou tarifas impostas ao Brasil, deixando Eduardo Bolsonaro sem interlocução em Washington.
Imagem: Cristiano Mariz via oglobo.globo.com
Com as agendas externas ainda incertas e o apoio interno minguando, Flávio Bolsonaro tenta reforçar sua imagem política para 2026, mas enfrenta resistência crescente dentro e fora do país.
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Com informações de O Globo



