Finanças e utilidades concentram 77% das maiores posições dos fundos; gestores reduzem caixa e veem TIR real de 17,4% em junho

Introdução (Lead):

Gestores de fundos de ações long only mantiveram postura construtiva para a bolsa brasileira em junho de 2026, segundo levantamento da Empiricus Research realizado entre 2 e 9 de junho. O estudo indica maior concentração em setores considerados defensivos, como financeiro e utilidades, que juntos respondem por 77% das principais posições das carteiras, além de sinalizar redução do caixa médio de 9,7% para 7,5% e taxa interna de retorno (TIR) real média de 17,4% – patamar superior à média histórica de 13,8%.

Desenvolvimento:

Metodologia e alcance do levantamento

A pesquisa mensal da Empiricus Research consulta uma amostra representativa de gestores locais de fundos de ações long only, estratégia que prioriza empresas com potencial de valorização no longo prazo. O questionário foi aplicado entre 2 e 9 de junho de 2026, período em que o Ibovespa operou na faixa dos 167 mil pontos, sob influência de fluxos estrangeiros negativos e manutenção da taxa Selic em nível elevado. As respostas foram consolidadas em mapa de calor setorial e em indicadores de posicionamento, permitindo comparar os dados atuais com a série histórica iniciada em 2023.

A amostra abrange carteiras com patrimônio superior a R$ 50 bilhões, o que confere relevância estatística às conclusões. Todos os percentuais destacados foram calculados sobre o total de entrevistados, e o intervalo de confiança da sondagem é de 95%.

Finanças e utilidades lideram as carteiras

O segmento financeiro voltou a se destacar como a principal posição dos portfólios: 48% dos gestores apontaram o setor como a maior aposta, avanço de sete pontos percentuais em relação a maio. Utilidades públicas, que incluem distribuidoras de energia e empresas de saneamento, ocuparam a segunda colocação, saltando de 23% para 29% das respostas.

A prevalência desses setores reflete a busca por fluxos de caixa mais previsíveis, margens resilientes e proteção parcial contra oscilações macroeconômicas. Na soma, finanças e utilidades absorvem 77% das principais exposições, nível inédito na série recente.

Petróleo e gás, que em abril e maio respondia por 14% das posições principais, deixou de figurar entre as preferências em junho. Comércio varejista também perdeu espaço, recuando de 14% para 10%, demonstrando maior seletividade diante do cenário de juros altos e consumo pressionado.

Setores em ascensão e segmentos em retração

Além dos líderes, o levantamento identificou percepção relativamente positiva para aluguel de veículos e logística, infraestrutura, saúde e determinados nichos do segmento imobiliário. Tais áreas foram avaliadas como capazes de oferecer crescimento orgânico consistente e menor volatilidade de resultados.

Finanças e utilidades concentram 77% das maiores posições dos fundos; gestores reduzem caixa e veem TIR real de 17,4% em junho - Imagem do artigo original

No extremo oposto do espectro, alimentos e bebidas permaneceu com a pior percepção relativa, pressionado por margens comprimidas e concorrência acirrada. A Empiricus enfatiza, contudo, que um setor classificado com menor atratividade não necessariamente apresenta tendência negativa; significa apenas avaliação menos favorável no contexto atual.

Outro dado relevante foi o ritmo gradual de recomposição de risco. O caixa médio das carteiras caiu de 9,7% para 7,5%, retornando ao patamar histórico de 7,1%. A retração sugere maior disposição a aproveitar quedas recentes do índice para alocar capital em ativos que combinam valuation atraente e resiliência operacional.

Indicadores de retorno e perfil de alavancagem

A TIR real média projetada pelos gestores ficou em 17,4%, superior à média de 13,8% observada desde 2023. O aumento do retorno esperado indica expectativa de potencial de valorização expressivo, mesmo em ambiente de juros elevados. O cálculo da TIR considera fluxos de caixa futuros descontados pela inflação, fornecendo métrica padronizada para comparar oportunidades.

Quanto à estrutura de capital das empresas investidas, a alavancagem média retornou para 1,5 vez dívida líquida/Ebitda, em linha com a série histórica. O parâmetro sugere manutenção de postura conservadora no que se refere a endividamento corporativo, fator valorizado em contexto de custos financeiros ainda elevados.

Entre as métricas de liquidez, 74% das companhias presentes nas carteiras apresentam giro médio diário superior a R$ 30 milhões, garantindo facilidade de entrada e saída dos fundos sem impacto relevante nos preços.

Conclusão Técnica:

A pesquisa da Empiricus Research confirma que, embora o cenário externo permaneça desafiador e a curva de juros interna siga pressionada, gestores brasileiros continuam ampliando a exposição à renda variável por meio de setores defensivos e empresas com geração de caixa consistente. A combinação de caixa reduzido, TIR real elevada e concentração em finanças e utilidades sinaliza expectativa de recuperação graduada do Ibovespa, condicionada à estabilização do fluxo estrangeiro e à trajetória da política monetária. Novos ajustes nas carteiras devem acompanhar dados macroeconômicos e balanços corporativos do segundo semestre, mantendo foco em previsibilidade de resultados e disciplina financeira.