Yduqs e Afya anunciaram nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, a incorporação da Afya pela Yduqs, criando a maior plataforma privada de ensino superior do Brasil, com R$ 9,4 bilhões em receita anual, 176 campi espalhados pelos 26 estados e 5,9 mil vagas de graduação em medicina; na companhia combinada, 69 % do capital ficará com os atuais acionistas da Afya e 31 % com os da Yduqs.
Estrutura societária e termos da incorporação
A operação foi formalizada por meio de fato relevante conjunto. O modelo escolhido é a incorporação total da Afya Participações S.A. pela Yduqs Participações S.A., seguida da extinção jurídica da primeira. Não haverá oferta pública de aquisição, uma vez que a transação será concluída via troca de ações:
- Relação de troca: cada ação da Afya será convertida em 1,4535 nova ação emitida pela Yduqs.
- Participação acionária: acionistas da Afya passam a deter 69 % da companhia resultante; acionistas da Yduqs permanecem com 31 %.
- Listagem: a Yduqs continuará negociada no segmento Novo Mercado da B3 sob o ticker YDUQ3.
Como incentivo adicional, a Yduqs distribuirá R$ 750 milhões em dividendos extraordinários antes do fechamento, além de oferecer um prêmio acionário de 45 % sobre o preço médio ponderado das ações da Afya nos 30 dias anteriores ao anúncio.
Dimensão financeira da nova holding educacional
Com a consolidação, a companhia passa a liderar o setor de educação médica no país, superando concorrentes em escala e capilaridade. Os principais indicadores combinados, calculados a partir dos resultados do 2º trimestre de 2026, são os seguintes:
- Receita líquida: R$ 9,38 bilhões, sendo R$ 5,56 bilhões gerados pela Yduqs e R$ 3,83 bilhões pela Afya.
- Ebitda ajustado: R$ 3,58 bilhões, dos quais R$ 1,87 bilhão vêm da Yduqs e R$ 1,71 bilhão da Afya.
- Margem Ebitda combinada: 38,1 %.
- Fluxo de caixa livre ao acionista: R$ 1,2 bilhão.
Do ponto de vista operacional, a integração reunirá mais de 1,2 mil unidades de ensino a distância e um portfólio de cursos presenciais distribuído em todas as regiões do Brasil. A projeção de matrículas atinge 1,6 milhão de alunos, com ênfase estratégica em graduações da área de saúde — segmento que responde por margens estruturais superiores às de cursos tradicionais de negócios e tecnologia.
Sinergias estimadas e cronograma de captura
As companhias quantificaram sinergias de R$ 2 bilhões, das quais 80 % devem ser capturadas em até três anos após a data de fechamento. O plano de integração foi dividido em três frentes principais:

- Eficiência administrativa: racionalização de estruturas corporativas e adoção de sistemas unificados de ERPs e gestão acadêmica.
- Otimização acadêmica: padronização de currículos, compartilhamento de corpo docente especializado em medicina e expansão de vagas regulamentadas pelo Ministério da Educação (MEC).
- Expansão digital: integração das plataformas de ensino remoto, com projeção de redução de custo por aluno em 15 %.
O histórico de 28 aquisições realizadas desde 2020 por ambas as empresas foi apontado como fator crítico para acelerar a incorporação de processos, evitando sobreposição de funções e maximizando a alavancagem operacional.
Governança, compliance regulatório e próximos marcos
A conclusão do negócio está condicionada à aprovação de órgãos reguladores brasileiros, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e o Ministério da Educação (MEC). A governança da nova holding seguirá o Estatuto Social da Yduqs, atualizado para refletir a nova estrutura de capital e a composição do conselho de administração, que passará a contar com:
- 11 membros: seis indicados pelos atuais acionistas controladores da Afya, quatro pelos acionistas de referência da Yduqs e um independente adicional.
- Mandato unificado de dois anos, com possibilidade de reeleição.
Os executivos confirmaram a manutenção de Eugênio Mattar, hoje CEO da Afya, como diretor-presidente da companhia combinada; Eduardo Parente, atual CEO da Yduqs, assumirá a vice-presidência de expansão e relações institucionais.
Conclusão técnica
O acordo de incorporação posiciona a Yduqs-Afya como a maior força privada do ensino superior brasileiro, especialmente no segmento médico, ao combinar escala, capilaridade e robustez financeira. Enquanto aguarda manifestação do CADE e do MEC, a empresa inicia a fase de diligência operacional para materializar sinergias de R$ 2 bilhões e distribuir R$ 750 milhões em dividendos extraordinários, reforçando sua geração de caixa. O fechamento definitivo está previsto para o primeiro semestre de 2027, quando as ações da companhia combinada passarão a refletir a nova estrutura societária na B3.



