Analistas do Itaú BBA e do UBS BB elevaram as perspectivas para as ações da Gerdau (GGBR4) nesta quinta-feira, apontando valorização potencial de até 36% em relação à cotação de R$ 25,63, graças a margens recordes na operação norte-americana, sucessivos reajustes de preços de aço nos Estados Unidos, real mais fraco e expectativa de demanda aquecida por projetos de data centers.
Recomendações revisadas e novos preços-alvo
O Itaú BBA alterou a recomendação de neutra para outperform (compra) e ajustou o preço-alvo de R$ 29 para R$ 31 até o fim de 2027. Já o UBS BB manteve a indicação de compra, elevando o preço-alvo de R$ 31 para R$ 35 em horizonte de 12 meses. Os relatórios citam uma relação risco-retorno mais atraente após a desvalorização do real de R$ 5,11 para cerca de R$ 5,40 por dólar e o repasse de preços de vergalhões, barras comerciais e perfis estruturais no mercado norte-americano.
No pregão das 16h (29/10/2026), GGBR4 avançava 6,39%, figurando entre os maiores ganhos do Ibovespa.
Operação dos EUA sustenta margens recordes
A margem Ebitda da divisão norte-americana atingiu 27,7% no 3T26, o melhor patamar desde 2022. Segundo o UBS BB, essa rentabilidade deve alcançar 30% entre o 4T26 e o 1T27, encerrando 2027 em 26,4%. O banco avalia que o mercado superestima o impacto da nova oferta de aço nos Estados Unidos e subestima a expansão da demanda ligada a data centers.
Dados do relatório indicam crescimento de 6,5% na procura por perfis estruturais (beams) e produtos MBQ no acumulado do ano. Os gastos com construção de data centers avançaram 75% e os novos projetos iniciados saltaram cerca de 200%, sinalizando manutenção de volumes elevados de aço longo nos próximos exercícios.
Com a operação brasileira respondendo por apenas 15% a 20% do Ebitda consolidado, o desempenho norte-americano passa a ditar o tom da tese de investimento, segundo o UBS BB.

Brasil mantém desafios, mas gera caixa robusta
O Itaú BBA reconhece pressão nas margens domésticas no 4T26, reflexo de demanda enfraquecida, juros ainda elevados e maior participação de exportações com preços menos favoráveis. O projeto Miguel Burnier, previsto para impulsionar ganhos de minério de ferro, deve acrescentar R$ 400 milhões ao Ebitda em 2027 — bem abaixo do potencial inicial de R$ 1,1 bilhão. A projeção de margem Ebitda para o Brasil em 2027 foi reduzida de 14,4% para 11,7%.
Ainda assim, os analistas destacam que GGBR4 voltou a ser negociada em níveis considerados atrativos, sustentada por geração de caixa consistente e potencial de valorização próximo de 30%. O plano de reestruturação a ser detalhado no Investor Day — que inclui foco em ativos de maior retorno, desinvestimentos e diminuição estrutural das exportações — desponta como catalisador para revisões positivas nas estimativas futuras.
Conclusão técnica
A soma de câmbio depreciado, forte repasse de preços de aço nos Estados Unidos e demanda crescente de data centers consolida a operação norte-americana como principal motor de resultados da Gerdau. Embora o ambiente doméstico permaneça desafiador, a menor representatividade do Brasil no Ebitda e a agenda de eficiência operacional reduzem o peso das incertezas locais. Com preços-alvo entre R$ 31 e R$ 35, as instituições veem espaço adicional de valorização no curto a médio prazo, sustentado por margens elevadas, robusta geração de caixa e eventuais anúncios estratégicos no próximo Investor Day.



