O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, anunciou que o governo federal pretende reformular o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) até o fim do primeiro semestre de 2026. A declaração foi feita nesta quinta-feira (7) durante painel sobre mudanças climáticas no Fórum de Buenos Aires, organizado pelo Instituto de Direito Público (IDP).
Segundo o ministro, o desenho do novo sistema vem sendo discutido com os ministérios da Fazenda e do Planejamento. “Queremos deixar esse legado. Acredito que, até o fim deste ano ou no primeiro semestre do ano que vem, teremos um novo modelo de seguro rural no Brasil”, afirmou.
Fávaro explicou que o país não deve reproduzir o formato norte-americano, que subsidia fortemente o prêmio do seguro, mas não oferece subvenção ao crédito agrícola. “Como no Brasil é necessária a subvenção dos juros, estudamos universalizar o seguro, tornando-o obrigatório para quem buscar financiamento oficial”, detalhou.
Impacto do orçamento reduzido
A fala do ministro ocorreu após o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, criticar o congelamento de quase metade do orçamento do PSR neste ano e a baixa penetração do seguro rural. Oliveira lembrou que, em todo o mundo, programas de seguro agrícola recebem subsídios governamentais e priorizam pequenos e médios produtores. No Brasil, mais de 95% das apólices amparadas pelo PSR atendem esse público.
Mudanças climáticas e cobertura em queda
De 2022 a 2024, cerca de 50% das perdas decorrentes de desastres climáticos atingiram o agronegócio, ressaltou o dirigente da CNseg. A área segurada, que alcançou 13,7 milhões de hectares em 2021, caiu para a metade em 2022 e recuou a 6,1 milhões de hectares em 2023. Dados parciais de 2025 apontam nova redução, para 2,2 milhões de hectares.
Oliveira destacou que eventos climáticos extremos elevam custos e desafiam modelos tradicionais de precificação. “Avaliar riscos apenas pelo histórico se torna cada vez menos efetivo, porque o futuro não repetirá o passado”, disse.
Imagem: Silvia Zamboni via valor.globo.com
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O governo espera que a reformulação garanta maior estabilidade a produtores de todos os portes, ao mesmo tempo em que amplia a cobertura diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes.
Com informações de Valor Econômico



