O Grupo Pão de Açúcar vendeu, em 20 de maio de 2026, sua participação de 66,7% no programa de fidelidade Stix à parceira Raia Drogasil por R$ 23 milhões; a operação, ainda sujeita à aprovação do Cade, concede à rede de farmácias 100% do negócio, assegura a manutenção temporária dos benefícios aos clientes e integra o plano de recuperação extrajudicial do GPA, baseado em redução de dívida, simplificação de operações e geração de caixa.
Estrutura da operação e requisitos regulatórios
A transação foi formalizada por meio de fato relevante enviado simultaneamente por Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) e Raia Drogasil (RADL3). Pelo acordo, a varejista farmacêutica adquire a totalidade das 66,7% de participação detidas pelo GPA, somando-se aos 33,3% já em seu poder e alcançando 100% do capital do Stix. O desembolso acordado é de R$ 23 milhões, valor que será contabilizado como reforço de caixa imediato pela companhia vendedora.
A conclusão está condicionada ao aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ao cumprimento de obrigações contratuais típicas, incluindo verificação de passivos e quitação de eventuais ajustes de capital de giro. Durante a análise regulatória, as duas empresas firmaram um protocolo de transição que garante a continuidade do acúmulo e resgate de pontos pelos clientes do Pão de Açúcar, Extra e demais marcas envolvidas.
Alinhamento ao plano de recuperação e racionalização de ativos
A alienação do Stix integra a estratégia de racionalização conduzida desde 2024, quando o GPA apresentou plano de recuperação extrajudicial estruturado em três eixos: reorganização da dívida, simplificação operacional e foco em geração de caixa. Entre 2024 e 2026, o grupo já se desfez de controladas e participações que outrora compunham um portfólio amplo — Assaí, Minuto Pão de Açúcar, Drogaria Extra e a fatia na Via Varejo são exemplos de desinvestimentos anteriores.
Com a saída do programa de fidelidade, o GPA reforça a decisão de concentrar capital em seu core business alimentar premium, reduzindo exposição a segmentos fora de sua cadeia principal. A companhia informou que os R$ 23 milhões serão direcionados à redução de endividamento de curto prazo, contribuindo para melhoria dos indicadores de alavancagem e para a preservação de liquidez.
Evolução e métricas do programa Stix
Lançado em outubro de 2020, o Stix surgiu da união dos programas de fidelidade internos de GPA e RD, que, antes da consolidação, somavam aproximadamente 55 milhões de clientes. O objetivo era ampliar a recorrência de compras e atrair parceiros de diferentes verticais.

Em 2024, o programa reportava 9 milhões de usuários ativos e faturamento estimado de R$ 550 milhões, segundo dados da Times Brasil. A base de parceiros foi além das controladoras iniciais, incluindo Shell Box, Petlove, Sodimac e varejistas como Magazine Luiza e Pontofrio. A aquisição integral por parte da Raia Drogasil sugere intenção de potencializar sinergias com o segmento farmacêutico e ampliar a oferta de benefícios em saúde e bem-estar.
Conclusão técnica e próximos passos
A venda da participação do GPA no Stix consolida mais um movimento do grupo em direção à liquidez e ao foco operacional, enquanto confere à Raia Drogasil total autonomia para redefinir a estratégia do programa de fidelidade. A efetivação da transação depende da análise concorrencial do Cade, cujo prazo médio de deliberação gira em torno de 60 a 240 dias, a depender da complexidade. Durante esse intervalo, o acordo de transição preserva a experiência dos 9 milhões de usuários e mantém inalteradas as rotinas de acúmulo e resgate de pontos.
Uma vez aprovada, a operação tende a provocar três resultados imediatos: reforço de caixa de curto prazo para o GPA, concentração de dados de relacionamento nas mãos da Raia Drogasil e possível reconfiguração do ecossistema de parcerias do Stix. Analistas de mercado acompanham o desenrolar regulatório e a execução do plano de recuperação do GPA para avaliar impactos na estrutura de capital e no posicionamento competitivo das duas companhias.



