Um calçado impresso em 3D pela Havaianas, a análise do UBS BB sobre a lenta reação da Hapvida, a decisão do Tribunal Superior do Trabalho que pôs fim à greve na Caixa Econômica Federal e os novos prazos do governo para usuários de plataformas de apostas compõem o conjunto de temas que dominaram a atenção do noticiário econômico entre 29 de setembro e 3 de outubro de 2026.
Inovação na Havaianas: tecnologia 3D estreia na linha Top Toe Mule
A marca brasileira Havaianas firmou parceria com a alemã Zellerfeld para produzir o Top Toe Mule, híbrido de chinelo e mule concebido inteiramente por impressão 3D. O anúncio foi feito em 2 de outubro de 2026, marcando a estreia da companhia no segmento de calçados fechados.
O modelo preserva a tradicional tira em V da empresa, mas adota estrutura única impressa camada a camada. A produção digital reduz desperdício de matéria-prima, dispensa costuras e permite ajustes quase imediatos no design. Segundo a fabricante, o item chegará primeiro ao mercado norte-americano em edição limitada antes de desembarcar no Brasil.
Com a iniciativa, a empresa amplia a estratégia de diversificação de portfólio e reforça presença em mercados nos quais a demanda por calçados sustentáveis e customizáveis cresce de forma consistente. Analistas acompanham a movimentação para estimar o impacto nos números da Alpargatas, controladora da marca.
Hapvida: diagnóstico neutro do UBS evidencia estágio inicial de recuperação
O UBS BB iniciou cobertura de Hapvida (HAPV3) com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 7,80 por ação. O relatório divulgado em 29 de setembro aponta que a operadora de saúde “parece ter parado de piorar”, mas carece de indicadores que comprovem retomada estrutural da rentabilidade.
Entre os fatores citados, destaca-se um ativo fiscal de quase R$ 31 bilhões que só poderá ser utilizado após retorno consistente ao lucro. O banco também considera que parte relevante do cenário adverso já está refletida na cotação, mas ainda não há visibilidade suficiente sobre a velocidade de redução de sinistralidade, integração de sistemas e ganhos de escala obtidos após fusões recentes.
Para investidores, a mensagem central do UBS é a necessidade de acompanhar margens operacionais, fluxo de caixa e eventual revisão de guidance antes de reavaliar posições na companhia. O cronograma de divulgação dos resultados do 3º trimestre, previsto para novembro, será o próximo gatilho de mercado.
TST determina fim da greve na Caixa e define custeio do Saúde Caixa
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou em 29 de setembro o dissídio coletivo apresentado pela Caixa Econômica Federal contra o sindicato dos empregados, decretando a imediata retomada das atividades após 19 dias de paralisação.
O principal impasse girava em torno da divisão de custos do plano Saúde Caixa. A decisão manteve a coparticipação de 30% para os trabalhadores e 70% para a instituição, além da reposição salarial baseada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Agências reabriram normalmente em 30 de setembro, reduzindo o risco de atraso em serviços como liberação de créditos imobiliários e pagamento de benefícios sociais.

A área de relações trabalhistas do banco informou que a normalização operacional deverá ocorrer até a segunda semana de outubro, prazo necessário para readequar escalas e restabelecer o atendimento pleno ao público.
Novo RG melhora segurança, mas 22 milhões ainda não elevam conta gov.br
Dados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos indicam que 64 milhões de brasileiros já portam a Carteira de Identidade Nacional (CIN) desde 2022. Porém, 22 milhões ainda não usaram o documento para alcançar o nível ouro na plataforma gov.br.
O procedimento, que leva poucos minutos, amplia a segurança contra fraudes e libera acesso a mais de 5 mil serviços digitais federais, incluindo consulta a benefícios previdenciários, assinatura eletrônica e sistemas de declaração fiscal. O governo intensificará campanhas informativas durante o mês de outubro para reduzir o contingente de usuários sem a autenticação máxima.
Plataformas de apostas têm prazo final para devolução de saldos
Em linha com as medidas que proíbem sites e aplicativos de apostas online, o Ministério da Fazenda determinou que apostadores solicitem o saque de valores retidos até 23h59 de 5 de outubro. As operadoras devem concluir os repasses até 14 de outubro de 2026. Após esse período, recursos não reclamados serão bloqueados até futuro regramento.
A pasta esclareceu que a proibição visa combater operações fora do escopo regulatório brasileiro, enquanto o Congresso analisa projeto de lei que estabelece diretrizes fiscais, tributárias e de responsabilização social para o setor.
Conclusão técnica
O avanço da manufatura aditiva na Havaianas, a vigilância do mercado sobre a rentabilidade da Hapvida e a intervenção do TST na greve da Caixa demonstram a amplitude de fatores — tecnológicos, financeiros e trabalhistas — que influenciam grandes companhias nacionais. Em paralelo, a digitalização de documentos e a reorganização das apostas esportivas sinalizam novas frentes regulatórias no panorama brasileiro. Nas próximas semanas, investidores e consumidores acompanharão a performance comercial do Top Toe Mule, os números trimestrais da operadora de saúde e a efetividade das agências da Caixa no pós-greve, enquanto o governo finaliza ajustes nos sistemas de identidade e define critérios permanentes para o mercado de bets.



