A inadimplência no rotativo do cartão de crédito avançou dez pontos percentuais ao longo de 2025 e encerrou o ano em 64,7%, maior patamar da série iniciada em 2011, segundo o Banco Central. Em janeiro, a taxa estava em 55%.
O salto ocorreu mesmo diante de um mercado de trabalho aquecido. O País fechou 2025 com desemprego de 5,6% – o menor desde 2012 – e renda média real de R 3.560, alta de 5,7% em relação ao ano anterior, conforme o IBGE.
Juros continuam escalando
No mesmo período, o juro médio do rotativo chegou a 438% ao ano, bem acima da média histórica de 40,3%. Entre as principais linhas de crédito, o rotativo permanece como a mais cara, seguido do parcelamento do cartão (189%), cheque especial (138,6%) e crédito pessoal não consignado (116,8%).
Por que mais renda não reduziu a inadimplência?
Para Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP, o aumento da renda formal levou bancos a ampliarem limites. “Quem tinha limite de R$ 2.000 passou a ter R$ 5.000 e usou o cartão como extensão do salário”, diz. O movimento, porém, ocorreu num cenário de juros compostos elevados.
A professora Virgínia Izabel Oliveira, da Fundação Dom Cabral (FDC), aponta que o ganho salarial não bastou para equilibrar orçamentos já pressionados por dívidas antigas e pelo custo de vida mais alto em saúde, educação e alimentação.
Ela ressalta ainda que a formalização concentrou-se em setores de maior renda, enquanto a base da pirâmide continuou exposta a inflação de itens essenciais. Essa diferença explica parte da distância entre o desemprego baixo e o avanço da inadimplência.
Renda instável pesa
Antonio Pontes, da The Hill Capital, lembra que o IBGE considera ocupada qualquer pessoa que trabalhe ao menos uma hora na semana de referência. Assim, trabalhadores informais e beneficiários de programas sociais entram na estatística sem necessariamente possuírem renda estável, recorrendo ao cartão para despesas básicas e, sem recursos para quitar a fatura, migrando direto para o rotativo.
Perspectivas para 2026
O Boletim Focus prevê crescimento de 1,8% para o PIB em 2026, contra 2,4% estimados para 2025 (IBC-Br até novembro). Oliveira acredita que a inadimplência pode cair se a inflação recuar e a renda real subir. Já Patzlaff considera que o estoque de dívidas com juros elevados pode manter famílias vulneráveis, recomendando renegociação e troca por linhas mais baratas.
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Com informações de InfoMoney



