Investidores estrangeiros aumentam aposta no setor de tecnologia do Brasil, diz Bank of America

O mercado brasileiro de tecnologia tem conseguido despertar a atenção de novos investidores internacionais, impulsionado pelo tamanho da base de consumidores e por setores ainda pouco explorados. A avaliação é de Diogo Aragão, responsável pela área de fusões e aquisições (M&A) do Bank of America (BofA) no Brasil, que vê “apetite crescente” de fundos globais e empresas estratégicas em busca de ativos locais.

Segundo Aragão, a tendência ficou evidente em transações recentes. Em um dos movimentos mais emblemáticos, a plataforma de gestão financeira Conta Azul foi adquirida pela gigante norueguesa de software Visma. Outro exemplo citado foi a compra da especialista em prevenção a fraudes Clearsale pela britânica Experian, concluída em abril.

“Private equities e players estrangeiros estão mirando segmentos com baixa penetração digital no país”, afirmou o executivo, durante evento com investidores. Para ele, o volume de dados gerados no mercado interno, aliado à necessidade de modernização de processos em pequenas e médias empresas, cria oportunidades que atraem capital externo.

Mercado nacional na mira

O interesse estrangeiro se apoia, principalmente, na dimensão do público consumidor brasileiro. Com mais de 200 milhões de habitantes e forte avanço da digitalização, o país tornou-se um laboratório de soluções escaláveis, avalia o BofA. “O Brasil combina tamanho, demanda reprimida e um ecossistema de inovação cada vez mais maduro”, apontou Aragão.

Apesar da desaceleração global do venture capital em 2023, o executivo observa que investidores estratégicos mantêm planos de longo prazo e buscam aquisições que ampliem presença na América Latina. “Há um reposicionamento: em vez de grandes rodadas de capital, vemos compras direcionadas a nichos em crescimento”, explicou.

Setores mais disputados

Entre os segmentos com maior interesse estão softwares de gestão para pequenas e médias empresas, finanças integradas (embedded finance) e soluções de cibersegurança. Para Aragão, companhias com modelos de negócio recorrente — baseados em assinaturas — tendem a receber ofertas mais agressivas, pois oferecem previsibilidade de receita.

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Imagem: Dataside tecnologia via valor.globo.com

O executivo acrescentou que a retomada gradual da atividade econômica e a perspectiva de queda nos juros locais também contribuem para destravar operações em 2024. “Com condições de financiamento mais favoráveis, há espaço para um ciclo novo de consolidação”, disse.

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Com informações de Valor Econômico