Fundos atrelados ao CDI, Tesouro Selic e debêntures de curto prazo garantiram rendimento superior a 1% em maio, mês marcado pela valorização de 1,82% do dólar à vista e pela queda de 7,08% do Ibovespa, reflexos diretos da saída de capital estrangeiro e da revisão para cima das projeções de inflação e juros.
Rendimento de mais de 1% fica restrito a aplicações de liquidez diária
O levantamento do Seu Dinheiro mostra que o Tesouro Selic 2031 entregou 1,12% no mês, praticamente em linha com o CDI, que fechou em 1,07%. A poupança, sob o regime de 0,5% ao mês acrescido da TR, rendeu 0,67%. Entre os títulos corporativos, o índice IDA-Geral, que representa debêntures listadas na B3, avançou 1,04%.
O desempenho positivo desses instrumentos decorre da própria mecânica de remuneração: ambos capturam de forma imediata a elevação da Selic, atualmente em 13,25% ao ano. Como a remuneração acompanha a taxa básica, oscilações de preço são praticamente neutras, garantindo retorno estável mesmo em cenários de aversão a risco.
Prefixados e IPCA+ sofrem com marcação: quedas chegam a 5%
Títulos de prazo mais longo, sensíveis a expectativas de inflação e juros, figuraram entre os piores resultados. O Tesouro IPCA+ 2050 registrou variação de -5,03%, enquanto o Tesouro Prefixado 2032 caiu -1,80%. A abertura das taxas promoveu ajuste negativo de preços, movimento intensificado pela perspectiva de Selic mais elevada e IPCA em 5,0% no fechamento de 2026 — projeção que estava em 3,95% dois meses antes.
Como juros e preços possuem correlação inversa, a valorização das taxas para patamares em torno de 14% ao ano no Tesouro Prefixado 2032 e de 7,8% mais IPCA no Tesouro IPCA+ 2029 resultou em desvalorização imediata da cota de quem já possuía os papéis. Para o investidor que mantém o título até o vencimento, a taxa contratada permanece inalterada.
Saída de estrangeiros pressiona bolsa e fortalece câmbio
O fluxo de investidores globais, responsável por ingressos de quase R$ 60 bilhões na B3 de janeiro a meados de abril, inverteu tendência após o agravamento do conflito no Oriente Médio. A combinação de preços de petróleo mais altos, pressão inflacionária internacional e aumento dos rendimentos dos Treasurys acima de 4% redirecionou recursos para ativos de países desenvolvidos.

A fuga refletiu-se na performance do Ibovespa, que recuou -7,08% em maio, enquanto o índice DXY — que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes — avançou 0,72% no mesmo período. Frente ao real, a moeda norte-americana encerrou o mês cotada a R$ 5,19, ainda acumulando queda de 8,13% no ano.
Maiores altas e baixas do Ibovespa evidenciam rotação setorial
No conjunto das ações listadas, Usiminas (USIM5) liderou os ganhos, com avanço de 33,66% no mês, seguida por Braskem (BRKM5), que subiu 14,32%. Do lado oposto, Magazine Luiza (MGLU3) caiu 27,34% e Cosan (CSAN3) recuou 24,60%. A dispersão dos retornos reflete a busca pontual por oportunidades ligadas a matérias-primas e a penalização de empresas expostas ao consumo interno e a custos financeiros mais altos.
Conclusão técnica
Maio de 2026 consolidou um cenário de volatilidade concentrada em ativos de longo prazo e de proteção em instrumentos indexados ao CDI. A tendência de elevação da Selic, alinhada à revisão das expectativas inflacionárias, deve manter pressionados os preços de prefixados e IPCA+ até que o mercado identifique um ponto de inflexão nos indicadores de preço ao consumidor. Enquanto isso, a atratividade dos rendimentos soberanos nos Estados Unidos segue como vetor de retirada de capital dos mercados emergentes, sustentando o dólar em patamar apreciado e limitando a recuperação do Ibovespa no curto prazo.



