Itaú BBA reduziu o preço-alvo dos recibos de ações (ADS) do Nubank de US$ 18 para US$ 15, válido até o fim de 2027, após identificar sinais de deterioração no crédito ao consumidor e riscos regulatórios que podem comprometer o ritmo de crescimento e a rentabilidade do banco digital.
Principais fatores que motivaram o rebaixamento
Os analistas do Itaú BBA revisaram suas premissas diante de um cenário macroeconômico mais adverso. O endividamento das famílias brasileiras atingiu patamar recorde, pressionando principalmente as classes de renda mais baixa. Paralelamente, a inflação recente superou as estimativas e economistas já projetam alta do desemprego em 2027. Esses vetores elevam a probabilidade de inadimplência, especialmente nas linhas de cartão de crédito e empréstimo pessoal sem garantia, ambas com peso expressivo na carteira do Nubank.
Mesmo com a redução no preço-alvo, o novo valor embute potencial de valorização de aproximadamente 25 % diante da cotação mais recente em Wall Street. Ainda assim, o Itaú BBA argumenta que o desconto atual “pode não ser suficiente” para equilibrar o pacote de riscos à frente.
Pressão da inadimplência e possíveis mudanças regulatórias
A leitura do banco envolve uma combinação de variáveis que tende a impactar os resultados a partir do 3T26, cujo balanço está agendado para 12 de novembro. O avanço de calotes entre pessoas físicas, já percebido em concorrentes como Bradesco e Santander Brasil, lança um sinal de alerta. Para o Nubank, cuja expansão foi acelerada sobre produtos de maior margem e maior risco, qualquer variação negativa na qualidade de crédito pode afetar de forma relevante a geração de receita com juros.
Além do ambiente macro, o Banco Central adotou medidas iniciais para conter o superendividamento e indicou a possibilidade de novas normas em 2026. As discussões regulatórias incluem tetos de juros para cartões rotativos e exigências de capital adicionais para segmentos mais arriscados. Segundo o Itaú BBA, uma mudança desse porte pode reduzir margens e restringir a velocidade de expansão da carteira de crédito, projetada agora para crescer cerca de 26 % em 2027 — ritmo menor que os 37 % observados atualmente.
No curto prazo, o guidance da instituição será testado pela performance do 3T26. Caso a inadimplência avance ou a receita com juros desacelere, a diferença entre expectativas de mercado e resultados efetivos poderá ampliar a volatilidade dos papéis.

Revisão nas projeções de lucro e avaliação de mercado
O relatório do Itaú BBA incluiu uma revisão para baixo de 4 % nas estimativas de lucro. Mesmo após o ajuste, as projeções do banco permanecem 19 % abaixo do consenso de analistas para 2027 e 22 % inferiores para 2028. A casa pontua que o Nubank negocia hoje a aproximadamente 13,5 × o lucro estimado para 2027, múltiplo considerado elevado frente aos riscos de crédito em ascensão.
Quanto à estratégia geográfica, o México, segundo maior mercado do Nubank, “ainda não possui escala suficiente” para compensar uma eventual perda de tração no Brasil. O avanço para clientes de renda mais alta — alternativa aventada para mitigar risco de crédito — tende a comprimir margens, ao passo que a manutenção do foco em renda média e baixa exige despesas adicionais com marketing e tecnologia.
Vale destacar que, mesmo sob perspectiva mais cautelosa, o Itaú BBA reconhece o modelo digital do Nubank como estruturalmente escalável e inovador. Contudo, a instituição afirma aguardar “maior visibilidade” quanto à dinâmica de inadimplência e às eventuais mudanças normativas antes de adotar uma postura construtiva em relação ao ativo.
Conclusão técnica e próximos marcos
O rebaixamento do preço-alvo para US$ 15 coloca o Nubank sob observação ampliada em um momento no qual indicadores de crédito começam a deteriorar e o arcabouço regulatório sinaliza aperto adicional. O balanço do 3T26, previsto para 12 de novembro, será o primeiro teste prático às novas premissas traçadas pelo Itaú BBA. Até lá, a evolução das variáveis macroeconômicas — inflação, emprego e endividamento — e o andamento das discussões no Banco Central permanecerão no centro do radar de investidores. Qualquer surpresa negativa nesses vetores pode reforçar a tese de cautela, enquanto resultados robustos e estabilidade regulatória teriam potencial para reverter parte do pessimismo atual.



