Ações do BR Partners (BRBI11) perderam o selo de compra do Itaú BBA após desempenho abaixo do previsto no terceiro trimestre de 2026, levando o banco a cortar o preço-alvo de R$ 20 para R$ 14 e a adotar postura neutra diante de pressões sobre receitas e rentabilidade.
Resultados do 3T26 evidenciam queda de lucro e avanço das provisões
O BR Partners reportou lucro líquido de R$ 23,5 milhões no 3T26, retração de 33 % em relação ao trimestre anterior e de 44 % na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recuou para 11,5 %, refletindo desaceleração de receitas e incremento de provisões para risco de crédito.
A receita total atingiu R$ 123,3 milhões, queda de 5 % frente ao 2T26 e de 8 % em doze meses. O principal vetor negativo foram as receitas de clientes, que somaram R$ 84,2 milhões, baixa trimestral de 19 %. Dentro desse grupo, a divisão de Investment Banking & Mercado de Capitais encolheu 34 % no trimestre, para R$ 53,4 milhões, acompanhando a diminuição no volume de emissões de dívida – recuo de 46 %, para R$ 1 bilhão.
Paralelamente, as provisões relacionadas a risco de crédito subiram para R$ 16,7 milhões, ante R$ 900 mil no 2T26, movimento que pressionou ainda mais o resultado. A carteira de crédito foi reduzida em 23 %, para R$ 2,6 bilhões, evidenciando estratégia mais conservadora em meio ao cenário de juros elevados e volatilidade eleitoral.
Mercado de capitais desaquecido limita geração de receitas
Segundo o Itaú BBA, a atividade nos mercados de capitais permanece incerta. Processos de emissão de dívida e operações de fusões e aquisições (M&A) mostram maior tempo de maturação, o que impede reconhecimento rápido de receitas pelo banco de investimentos.
Nos nove primeiros meses de 2026, o volume de emissões intermediadas pelo BR Partners ficou 21 % abaixo do registrado em igual período de 2025, pior desempenho do que o recuo de 11,5 % observado no mercado de renda fixa e FIDCs, segundo a Anbima. Em M&As, embora 19 transações tenham sido anunciadas no intervalo, a materialização financeira dessas operações segue lenta, somando apenas cerca de R$ 500 milhões no 3T26.
Para o Itaú BBA, a expectativa é de que o ambiente permaneça desafiador ao longo de 2027, com juros elevados e incertezas macroeconômicas dificultando decisões corporativas de captação e consolidação.
Estrutura de custos pressiona margens mesmo após ajuste pontual
As despesas com pessoal e administrativas totalizaram R$ 65,7 milhões no 3T26, redução de 16 % em relação ao trimestre anterior, favorecida por menor remuneração variável em um período de receitas contidas. O quadro de funcionários manteve-se estável em 204 colaboradores, indicando que a economia resultou principalmente de eficiência operacional.
Apesar da melhora sequencial, o acumulado de 2026 aponta alta de 29 % nas despesas totais em comparação a igual período de 2025. Isoladamente, os gastos com pessoal saltaram 59 % em um ano, elevando o índice de remuneração para 34,1 %, acima do teto de 30 % estabelecido pela administração.

O Itaú BBA observa que a infraestrutura ampliada ao longo de 2026 demanda expansão consistente de receitas para diluição de custos. Caso a retomada do mercado de capitais demore, as margens do BR Partners podem sofrer pressão adicional.
Valuation atrativo não compensa riscos de curto prazo, aponta Itaú BBA
Mesmo negociando a 5,8 x o lucro estimado para 2027 e a 1,2 x o valor patrimonial, múltiplos considerados modestos, o Itaú BBA avalia que o desconto não equilibra a relação risco-retorno no horizonte próximo. A ausência de catalisadores claros para elevação de receitas reduz a visibilidade de ganhos, levando o banco a rebaixar a recomendação de outperform para market perform.
O preço-alvo foi ajustado de R$ 20 para R$ 14 ao final de 2027, ainda implicando potencial de valorização de cerca de 40 % sobre o último fechamento, porém condicionado a melhoria de resultados que, na avaliação dos analistas, carece de sinais concretos no curto prazo.
Divisões próprias exibem desempenhos díspares
A área de Sales & Trading gerou receita de R$ 25,9 milhões, alta de 40 % frente ao 2T26, mas ainda 10 % inferior ao nível de um ano antes. A unidade de Wealth Management permaneceu praticamente estável, com R$ 4,9 milhões, enquanto Capital & Others avançou 53 %, para R$ 39,1 milhões, suavizando parte da queda em Investment Banking & Mercado de Capitais.
Mesmo assim, a dependência de comissões ligadas a emissões e M&As mantém o desempenho geral suscetível a variações de apetite de investidores e condições de mercado.
Conclusão Técnica
O rebaixamento do BR Partners reflete combinação de lucros em queda, provisões mais altas e atividade enfraquecida nos mercados de capitais. Enquanto a estrutura de custos permanece elevada e o cenário macroeconômico sinaliza continuidade de juros altos, o Itaú BBA adota postura prudente, aguardando evidências de recuperação das receitas antes de retomar recomendação positiva. Nos próximos trimestres, a performance das divisões de Investment Banking e M&A, além da evolução das despesas com pessoal, serão determinantes para redefinir a trajetória de rentabilidade e potencial de valorização das ações.



