O Itaú Unibanco registrou lucro líquido recorrente de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, resultado em linha com as projeções de mercado e sustentado por expansão moderada da carteira de crédito, controle de despesas e manutenção de indicador de rentabilidade acima de 23%.
Lucro, rentabilidade e margens financeiras
A cifra de R$ 12,6 bilhões representa avanço de 6,7% sobre o mesmo intervalo de 2025 e de 2,5% frente ao trimestre anterior, confirmando o consenso de R$ 12,584 bilhões compilado pela Bloomberg. O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROAE) atingiu 23,6%, alta de 0,3 p.p. em 12 meses, embora 0,7 p.p. inferior ao observado entre abril e junho.
No componente de receitas, a margem financeira total somou R$ 34,6 bilhões, avanço de 7,8% em doze meses. Desse montante, R$ 33,6 bilhões vieram da margem com clientes, impulsionada pelo crescimento da carteira e pelo diferencial entre taxas de empréstimo e custo de captação. A contribuição da tesouraria, capturada na margem com o mercado, saltou 46,9% ano a ano, para R$ 1,3 bilhão, refletindo posições mais favoráveis em juros e câmbio.
Crédito cresce com cautela, mas provisões avançam
A carteira de crédito ampliada encerrou setembro em R$ 1,54 trilhão, alta de 10,9% em doze meses e de 2,2% em relação a junho. O foco continuou nas modalidades de menor risco relativo, em especial financiamento a grandes empresas e linhas consignadas. Ainda assim, a expansão veio acompanhada de elevação pontual nos índices de inadimplência de longo prazo.
O atraso superior a 90 dias avançou 0,1 p.p. tanto na comparação anual quanto na trimestral, chegando a 2,0%. Segundo o banco, a variação decorre principalmente da normalização de micro, pequenas e médias empresas após o término de programas de carência pós-pandemia. Já os atrasos de 15 a 90 dias recuaram 0,1 p.p., para 1,7%, influenciados pelo desempenho da carteira na América Latina.
Como consequência, o custo do crédito totalizou R$ 10,4 bilhões, avanço de 10,2% sobre o 3T25. As provisões para perdas esperadas atingiram R$ 10,7 bilhões, 9,6% superiores às do ano anterior, refletindo maior exposição a pessoas físicas no varejo brasileiro.

Receitas de serviços estáveis e disciplina de custos
Enquanto as linhas financeiras sustentaram o crescimento do resultado, as receitas de prestação de serviços permaneceram praticamente estáveis em R$ 11 bilhões (-0,1% em 12 meses; +0,2% vs. 2T26). A performance reflete menor atividade no mercado de capitais, pressões sobre taxas de performance e ritmo contido em cartões.
Do lado das despesas, o Itaú preservou política de gastos compatível com a inflação e com acordos coletivos. As despesas operacionais somaram R$ 17,1 bilhões, crescimento de 1,7% ano a ano. Esse controle permitiu melhora de 1,4 p.p. no índice de eficiência, que encerrou o trimestre em 35,7%, reforçando a vantagem competitiva em relação a pares privados.
Ajuste no guidance: alíquota de IR menor para 2026
Junto ao balanço, a administração revisou para baixo a projeção de alíquota efetiva de IR/CS para o exercício de 2026. O intervalo passou de 29,5%–32,5% para 28%–29%, incorporando a trajetória de juros de longo prazo. As demais métricas – crescimento da carteira, margens financeiras, custo de crédito, receitas de serviços e despesas não decorrentes de juros – foram mantidas.
Conclusão Técnica
O desempenho do Itaú no 3T26 confirma a resiliência da maior instituição financeira privada do país em ambiente de juros altos e competição crescente. A combinação de rentabilidade robusta, controle de custos e crescimento cauteloso do crédito sustenta a tese de continuidade dos resultados sólidos no curto prazo. Para os próximos trimestres, a atenção do mercado deve permanecer voltada à evolução da inadimplência em pessoas físicas, à capacidade de recuperação das receitas de serviços e aos efeitos do novo patamar de tributação sobre o lucro líquido projetado para 2027.



