Lucro da Salesforce sobe 100% e ações avançam 14%; Nvidia bate estimativas, mas papéis recuam em Wall Street

A Salesforce reportou lucro líquido de US$ 3,53 bilhões no segundo trimestre fiscal de 2027 — alta de 100% em relação ao ano anterior — e viu suas ações saltarem 14% no after-hours em Nova York, enquanto a Nvidia, mesmo superando projeções, registrou queda de até 2% nos papéis no mesmo período de negociação estendida.

Resultados detalhados da Salesforce: crescimento robusto e novo guidance

A provedora de soluções em computação em nuvem divulgou lucro por ação ajustado de US$ 5,90, muito acima do consenso da FactSet de US$ 3,27. A receita avançou 11%, alcançando US$ 11,3 bilhões, desempenho considerado sólido pelo mercado e alinhado às expectativas.

Além dos números expressivos, a companhia revisou para cima a projeção de faturamento para o ano fiscal completo, agora posicionada entre US$ 46,1 bilhões e US$ 46,4 bilhões. Para o terceiro trimestre, a receita projetada oscila de US$ 11,42 bilhões a US$ 11,5 bilhões, praticamente em linha com a mediana de estimativas de analistas.

Marc Benioff, CEO e cofundador, classificou o trimestre como “um dos melhores de todos os tempos” ao anunciar a expansão da parceria estratégica com a Anthropic, desenvolvedora do modelo de linguagem Claude. Como parte do acordo, foi lançado o Claudeforce, ferramenta plug-in que incorpora 37 funcionalidades pré-construídas de vendas, permitindo a elaboração automática de e-mails, atualização de registros e outras tarefas diretamente no ecossistema da Salesforce.

Ação reage de forma imediata; investidores recompensam revisões positivas

No after-hours da NYSE, as ações da Salesforce saltaram 14%, refletindo a combinação de resultados acima do esperado e melhoria no guidance. O movimento contrasta com o desempenho médio do índice Nasdaq-100 no mesmo intervalo, que permaneceu estável.

Analistas apontam três vetores principais para a resposta positiva:

  • Margem operacional em expansão impulsionada pela disciplina de custos implementada desde o ano fiscal anterior;
  • Fortalecimento do pipeline de produtos baseados em inteligência artificial generativa, fator que reforça a percepção de vantagem competitiva;
  • Confirmação de que a empresa mantém trajetória de crescimento de dois dígitos mesmo em cenário de moderação de gastos corporativos em TI.

Nvidia: números robustos e desafio de sustentar expectativas elevadas

No mesmo dia, a Nvidia divulgou lucro líquido de US$ 53,95 bilhões, mais que o dobro do registrado um ano antes. O lucro por ação ajustado atingiu US$ 2,22, superando a previsão de US$ 2,09. A receita total avançou para US$ 96,2 bilhões, acima do consenso de US$ 92,3 bilhões.

Segmentos-chave mantiveram forte tração. A divisão de Data Center, que agrega soluções para hyperscalers e nuvens de IA, somou US$ 89 bilhões, superando a estimativa de US$ 85,8 bilhões. Já a área de Edge Computing, que inclui IA física e gaming, gerou US$ 7,2 bilhões, frente à expectativa de US$ 6,6 bilhões.

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Mesmo com indicadores acima das projeções, os investidores realizaram lucros, levando os papéis a recuar até 2% no after-hours do Nasdaq. De acordo com especialistas de mercado, a correção reflete:

  1. Valuation esticado após forte rali no ano, que exige expansão contínua dos números para justificar múltiplos;
  2. Incertezas quanto ao retorno dos investimentos maciços em infraestrutura de IA por parte dos clientes;
  3. Rotatividade de posições em empresas de semicondutores, uma vez que gestores avaliam realocação de capital depois dos ganhos acumulados.

Panorama setorial: nuvem, IA generativa e semicondutores em foco

O trimestre demonstra a força do ecossistema de nuvem e inteligência artificial nas duas companhias, mas também evidencia diferenças na forma como o mercado precifica riscos e oportunidades.

No caso da Salesforce, a crescente integração de recursos de IA aos produtos de Customer Relationship Management (CRM) gera novas fontes de receita com margens superiores. A parceria com a Anthropic minimiza o tempo de entrada no mercado para ofertas de IA generativa, vinculando-as a uma base já consolidada de clientes corporativos.

Para a Nvidia, a dinâmica depende do ritmo de compras de GPUs por hyperscalers e de iniciativas de securitização de hardware, como o recente acordo com BlackRock e outras gestoras para criar veículo de US$ 500 bilhões. Embora tais movimentos reforcem a posição de liderança em chips de IA, permanecem dúvidas sobre a velocidade de monetização em ambientes macroeconômicos menos favoráveis.

Conclusão técnica

A divulgação simultânea de balanços reforça o apetite contínuo por soluções de IA corporativa, mas indica que o prêmio pago pelos investidores dependerá cada vez mais da entrega consistente de margens e da visibilidade de fluxos de caixa. A Salesforce, ao alinhar crescimento orgânico, gestão de custos e ampliação de portfólio, conseguiu sustentar narrativa positiva e foi recompensada de imediato no pregão estendido. Já a Nvidia, mesmo reportando cifras recordes, enfrenta o desafio de convencer o mercado de que a escalada de demanda por semicondutores de IA permanecerá acelerada a ponto de validar avaliações já elevadas. Nos próximos trimestres, a atenção se voltará ao ritmo de adoção de aplicações generativas, à eficiência de capital das grandes provedoras de nuvem e ao comportamento dos investimentos corporativos em hardware especializado.