Lucros de empresas brasileiras crescem acima de 20% no 1T26 e rivalizam com big techs norte-americanas

Os balanços do primeiro trimestre de 2026 revelam que 12 companhias listadas na B3 apresentaram salto de lucro superior a 26% ano contra ano, desempenho que as coloca no mesmo patamar de crescimento das gigantes de tecnologia dos Estados Unidos, cujo lucro por ação avançou cerca de 20% no período.

Big techs sustentam retomada de atenção aos EUA

A divulgação dos resultados de Alphabet, Amazon, Apple, Meta e Microsoft reforçou a atratividade do mercado norte-americano. O earnings season indicou expansão expressiva de lucro por ação (EPS), mesmo com alguns efeitos não recorrentes. Entre as cinco companhias, o menor avanço anual foi o de +20%, observado em Apple e Microsoft, enquanto a maior disparada partiu da Meta, com +68%.

Em receita, o destaque foi a Amazon, que somou US$ 181,5 bilhões, alta de 17% sobre igual intervalo de 2025. Já a Alphabet liderou o crescimento percentual de faturamento, saltando 22% e alcançando US$ 109,9 bilhões. Esses números atuaram como amortecedor temporário na migração de recursos para outras praças, ainda que o conflito no Irã continue a pressionar preços de energia e a manter elevada a percepção de risco.

Fluxo para emergentes permanece no radar

Analistas de fluxo global avaliam que, apesar da pausa provocada pelos resultados robustos das big techs, o capital estrangeiro segue propenso a buscar diversificação em mercados emergentes. A tese se apoia em múltiplos mais baixos, exposição a commodities e, no caso brasileiro, na combinação de câmbio competitivo com superávit comercial ampliado pelo petróleo mais caro.

O debate sobre realocação ganha força diante do potencial de retorno superior oferecido por praças como a B3. A perspectiva de crescimento de lucros, alinhada à remuneração por dividendos em setores de energia e financeiro, figura como argumento adicional para investidores institucionais.

Doze brasileiras registram expansão de lucro digna de big tech

No universo de cobertura que inclui ações de perfil compounder, geradoras de caixa consistente e pagadoras de dividendos, 12 empresas listadas em São Paulo reportaram avanço anual de lucro igual ou superior a +26% entre o 1T25 e o 1T26. O grupo reúne companhias de segmentos diversos, do fitness ao petróleo, ilustrando a amplitude setorial do mercado doméstico.

Empresas brasileiras com maior crescimento de lucro (1T26 x 1T25)
Smart Fit (SMFT3): +46,8%
Localiza (RENT3): +45,1%
Alpargatas (ALPA4): +44,8%
BTG Pactual (BPAC11): +42,3%
Eucatex (EUCA4): +37,3%
Porto (PSSA3): +36,2%
Multiplan (MULT3): +35,1%
Gerdau (GGBR4): +33,6%
Prio (PRIO3): +33,4%
B3 (B3SA3): +33,1%
Vale (VALE3): +28,7%
Direcional (DIRR3): +26,8%

Lucros de empresas brasileiras crescem acima de 20% no 1T26 e rivalizam com big techs norte-americanas - Imagem do artigo original

Embora entreguem evolução de lucro compatível com a das gigantes de tecnologia, essas companhias negociam a múltiplos consideravelmente mais baixos, fator que pode ampliar o upside potencial em caso de continuidade de resultados robustos. Além disso, a diversificação setorial reduz a correlação com eventos específicos de tecnologia ou consumo digital, proporcionando amortecimento adicional em cenários de volatilidade global.

Vetores que reforçam a competitividade brasileira

Três pilares sustentam a expectativa de fluxo positivo para ações brasileiras nos próximos trimestres:

  1. Aderência a commodities e energia limpa: Produtores de minério de ferro, aço e petróleo se beneficiam de preços internacionais elevados, enquanto iniciativas em eólica e solar ganham incentivos regulatórios.
  2. Ambiente fiscal relativamente estável: A manutenção de superávits comerciais e a disciplina monetária favorecem a percepção de solvência, ainda que pressões de gasto permaneçam em discussão no Congresso.
  3. Taxa de crescimento de lucros acima da média emergente: Empresas de segmentos como seguros, saúde e locação de veículos mostram capacidade de expansão orgânica mesmo em cenário de juros altos, refletindo modelos de negócio resilientes.

Adicionalmente, a correlação moderada com o ciclo eleitoral norte-americano e a possível distensão diplomática entre o Palácio do Planalto e uma eventual nova administração em Washington contribuem para reduzir o risco-país na percepção de investidores.

Conclusão técnica

A fotografia do 1T26 confirma que o avanço dos lucros corporativos não se limita ao Vale do Silício. Um conjunto diversificado de companhias brasileiras entrega crescimento percentual comparável ao das big techs dos Estados Unidos, porém a valuations mais modestos. Esse descolamento cria espaço para captação de alpha em carteiras globais e fundamenta a expectativa de intensificação do fluxo de capital para a B3 assim que a atenção do mercado internacional se deslocar novamente das manchetes de guerra para a busca de retornos ajustados ao risco.

Os próximos catalisadores incluem a temporada de balanços do segundo trimestre, a evolução das cotações de petróleo e a trajetória dos juros domésticos. A manutenção do ritmo de lucro acima de 20% ano contra ano será decisiva para sustentar o apetite estrangeiro e consolidar o mercado brasileiro como alternativa de desempenho equiparável, em termos relativos, ao das gigantes de tecnologia norte-americanas.