Lucros abaixo do esperado derrubam ações de Intel e Amazon em até 20% após balanços do 3T26

Intel e Amazon registraram queda acentuada em suas ações no after-market desta quinta-feira, 29 de outubro, depois de apresentarem resultados do terceiro trimestre de 2026 que frustraram as expectativas de analistas: a fabricante de chips recuou até 20,0%, enquanto o conglomerado de e-commerce perdeu cerca de 6,7%, reforçando temores sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial no curto prazo.

Reação imediata do mercado

No encerramento do pregão estendido em Nova York, os papéis da Intel eram cotados a US$ 73,81, queda de 19,8%, e os da Amazon recuavam para US$ 226,83, baixa de 6,7%. O movimento negativo somou-se à pressão vista mais cedo nos índices de tecnologia, iniciada pelas cifras da Alphabet. Operadores relataram ordens de venda concentradas em fundos passivos expostos ao setor, evidenciando aversão a ativos considerados caros diante de margens comprimidas.

Guidance revisado puxa Intel para baixo

A Intel projetou lucro ajustado de US$ 0,25 por ação e receita entre US$ 15 bi e US$ 16 bi para o quarto trimestre, abaixo do consenso de mercado que indicava faturamento próximo a US$ 17,29 bi. O diretor financeiro, David Zinsner, atribuiu o cenário à “fragilidade prolongada” no mercado global de PCs, cujas remessas diminuíram 4% no segundo trimestre versus 2025. No 3T26, o lucro líquido foi de US$ 3,32 bi, retração de 18% ano a ano, apesar de o lucro por ação ajustado ter superado expectativas ao atingir US$ 0,52. A receita total avançou 21%, para US$ 16,5 bi, impulsionada pelo segmento de data centers e IA, que saltou 78% e alcançou US$ 7,3 bi; já a divisão de computação cliente recuou 5%, somando US$ 8,1 bi.

Números da Amazon indicam desaceleração de margens

A Amazon divulgou lucro líquido de US$ 20,69 bi e ganho diluído por ação de US$ 1,89, levemente abaixo dos US$ 1,96 esperados. A receita trimestral atingiu US$ 201,9 bi, alta de 12% ante 2025, mas ainda inferior às projeções de US$ 202,2 bi. O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 42,4 bi nos últimos 12 meses, revertendo resultado positivo de US$ 14,8 bi um ano antes — reflexo de desembolsos voltados à expansão da infraestrutura de inteligência artificial, aquisição de imóveis e compras de equipamentos.

Para o quarto trimestre, a companhia estima faturamento entre US$ 240 bi e US$ 247 bi, intervalo que já considera impacto cambial adverso. O serviço de computação em nuvem AWS manteve ritmo forte, somando receita de US$ 46 bi, crescimento de 39% na comparação anual, mas analistas apontam que a desaceleração global de consumo e a forte base de custos podem restringir a expansão de margens a curto prazo.

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Panorama setorial e repercussões

A preocupação central de investidores reside na hipótese de que desembolsos agressivos para iniciativas de IA generativa não se convertam rapidamente em retorno financeiro. Os três principais componentes do índice de semicondutores da Filadélfia acumularam perda média superior a 15% desde o início da temporada de resultados, sinalizando rotação para setores menos dependentes de capex intensivo.

Instituições como FactSet e Bloomberg Intelligence revisaram para baixo projeções de lucro agregado do segmento de tecnologia para 2026, reduzindo-as em torno de 3%. Além do ambiente macro de juros restritivos, gargalos de suprimentos de componentes avançados e custos energéticos mais altos entram no radar como potenciais limitadores de expansão.

Conclusão técnica

Os balanços de Intel e Amazon confirmam que, embora a demanda por soluções baseadas em inteligência artificial permaneça robusta, a materialização de ganhos financeiros não ocorre em linha reta. A pressão sobre margens, somada à desaceleração em PCs e consumo digital, deve manter a volatilidade elevada no curto prazo. Para os próximos trimestres, o mercado acompanhará de perto: (i) a evolução das remessas de computadores e a recuperação do ciclo de reposição; (ii) o impacto dos novos contratos corporativos na receita da AWS; e (iii) a capacidade da Intel de capturar participação em data centers frente a concorrentes asiáticos. A consistência desses vetores definirá se os atuais níveis de preço configuram mera correção técnica ou sinalizam reprecificação estrutural no setor.

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