Mercados iniciam terça-feira em compasso de espera diante de atritos entre Trump e Fed e crise política na França

Os investidores adotam postura defensiva neste início de terça-feira (26) após novos embates entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Federal Reserve (Fed), além do aumento das incertezas políticas na França. O pano de fundo externo tende a influenciar o comportamento dos ativos locais, que ainda aguardam a divulgação do IPCA-15 de agosto.

Tensão em Washington

Na noite de ontem, Trump tornou pública uma carta na qual anuncia a demissão da diretora do Fed Lisa Cook, indicada em 2022 pelo então presidente Joe Biden para mandato até 2038. O republicano alegou suposta fraude hipotecária, revelada por Bill Pulte, diretor da FHFA e aliado do governo. Cook negou irregularidades, afirmou que o presidente não dispõe de autoridade para destituí-la e garantiu que permanecerá no cargo.

A notícia provocou movimentos moderados nos mercados. O índice do dólar (DXY) recua 0,17%, para 98,265 pontos, enquanto os contratos futuros das bolsas de Nova York operam próximos da estabilidade. No mercado de Treasuries, porém, o ajuste é mais forte: o rendimento do título de 30 anos sobe 4,3 pontos-base, alcançando 4,933%, e a inclinação da curva volta a chamar atenção de analistas.

Em nota a clientes, Michael Feroli, economista-chefe para Estados Unidos do J.P. Morgan, alertou que a iniciativa de Trump pode abrir espaço para mudanças mais profundas na estrutura do banco central, inclusive a substituição de presidentes regionais, o que elevaria o risco de pressão inflacionária.

Incerteza em Paris

Na Europa, os ativos franceses lideram as perdas após o primeiro-ministro François Bayrou solicitar hoje um voto de confiança do Parlamento para aprovar o Orçamento, manobra que pode custar o cargo do governo. O índice CAC 40 recua 1,45% e ações de bancos caem com força: Société Générale (-6,88%), BNP Paribas (-4,63%) e Crédit Agricole (-5,23%).

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Apesar da aversão ao risco, o euro se mantém relativamente estável diante do dólar, beneficiado pela fraqueza da moeda norte-americana depois do choque político em Washington.

Agenda doméstica

Por aqui, o foco recai sobre o IPCA-15 de agosto. O consenso de mercado aponta para deflação de 0,22%, mas uma surpresa — especialmente nos preços de serviços ou nos núcleos — pode alterar apostas para a trajetória da Selic e mexer na curva de juros.

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Imagem: valor.globo.com

O noticiário fiscal também segue no radar. O presidente da Câmara, Hugo Motta, deve levar hoje à reunião de líderes a proposta que isenta do Imposto de Renda salários de até R$ 5 mil, medida que enfrenta resistência em razão das compensações previstas. O relator, Arthur Lira, participará das discussões.

Com a combinação de ruídos externos e agenda carregada no Brasil, analistas projetam um dia volátil para câmbio, juros e bolsa, em especial se o IPCA-15 destoar das expectativas.

Para acompanhar outros temas que podem mexer com seus investimentos, visite a seção de Economia do Capital Financeiro.

Com informações de Valor Econômico

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