Feriados nos Estados Unidos e na China reduzem a liquidez mundial nesta sexta-feira, enquanto investidores acompanham a seleção brasileira contra o Haiti, analisam a possível dissolução da holding Cosan (CSAN3) em até cinco anos e monitoram o Tesouro IPCA+, que voltou a oferecer retorno real superior a 8% ao ano.
Cenário global: pregões fechados, Europa sem direção única e tensão no Oriente Médio
As bolsas de Xangai e Shenzhen permaneceram fechadas em função de feriado local, e Wall Street interrompeu as operações por conta do Juneteenth, data que celebra o fim da escravidão nos EUA. A menor referência das maiores praças financeiras restringiu o volume de negócios também na América Latina.
Na Europa, o movimento foi lateralizado. O FTSE 100 recuou 0,2% após a vitória de Andy Burnham em eleição suplementar no Reino Unido, fato que intensificou a pressão sobre o primeiro-ministro Keir Starmer. Já o DAX avançou 0,1%, refletindo revisões positivas de produção industrial alemã.
No front geopolítico, a suspensão de uma nova rodada de negociações nucleares entre EUA e Irã impulsionou os contratos do petróleo Brent para US$ 87,40 na primeira metade da madrugada. Entretanto, a commodity devolveu ganhos com a menor liquidez do dia e fechou próxima da estabilidade.
Lesão de Neymar adia estreia e pode marcar a última Copa do trio de craques
Neymar Jr. permaneceu em Nova Jersey para concluir a recuperação da lesão sofrida na preparação e não entra em campo hoje às 21h30. A comissão técnica estima retorno no confronto contra a Escócia na próxima semana. O atacante, de 34 anos, disputa possivelmente sua derradeira Copa, mesma condição de Messi e Cristiano Ronaldo, o que transforma cada aparição do trio em evento de alta relevância para patrocinadores e para o mercado de mídia esportiva.
Especialistas da indústria calculam que a exibição da seleção concentre audiência superior a 45 milhões de espectadores no país, fator que reprioriza verbas publicitárias para plataformas digitais como CazéTV, responsável pelos direitos de transmissão da competição.
Cosan projeta reorganização que pode extinguir a holding, mas mantém atratividade
Durante teleconferência de resultados do 1T26, o CEO Marcelo Martins avaliou como “bastante razoável” a hipótese de a Cosan ser descontinuada em um horizonte de 3 a 5 anos. O plano inclui:

- Venda seletiva de participações minoritárias;
- Lançamento do IPO da subsidiária Compass (PAS3);
- Redução de alavancagem por meio de desinvestimentos.
A eventual dissolução resultaria na distribuição direta dos ativos aos acionistas, entre eles Rumo, Raízen e Moove. Apesar do cenário incerto, casas de análise como BofA Securities projetam potencial de valorização de até 70% para as ações CSAN3, sustentado pela convergência operacional e pela perspectiva de corte adicional da Selic.
Rendimentos do Tesouro IPCA+ retomam patamares raros e abrem debate sobre prêmio de risco
Os títulos soberanos indexados à inflação, com vencimentos a partir de 2035, alcançaram taxa real próxima de 8,5% ao ano, a maior desde 2020. A reprecificação reflete:
- Ajuste das expectativas de inflação implícita após superávit primário inferior ao previsto;
- Leilões do Tesouro Nacional com oferta ampliada, sobretudo nas séries longas;
- Cautela global vinculada ao impasse EUA-Irã, que elevou o prêmio exigido pelos estrangeiros.
Analistas ponderam que o patamar atual oferece proteção robusta contra a corrosão do poder de compra, porém eleva o custo de rolagem da dívida pública e pode limitar futuros cortes de juros pelo Banco Central.
Empresas deixam a B3 enquanto Brasil lidera M&A na América Latina
Processos de fechamento de capital de Mills, Desktop, Gol e Brava Energia refletem estratégia de contenção de custos regulatórios em ambiente de taxas ainda elevadas. Paralelamente, o Brasil respondeu por quase 50% das operações de fusões e aquisições na região em 2025, superando o México e reforçando a atratividade do mercado interno para private equity e corporates.
Conclusão técnica
A sexta-feira apresenta menor oscilação nos principais ativos por conta de feriados internacionais, mas reúne elementos cruciais para o investidor brasileiro. A expectativa de retorno de Neymar mantém o interesse do público na Copa e favorece marcas ligadas ao evento. A possível extinção da Cosan exige acompanhamento próximo de cronogramas de IPO e desinvestimentos, embora o desconto atual das ações permaneça expressivo segundo bancos de investimento. No mercado de renda fixa, o Tesouro IPCA+ oferece prêmio histórico, mas sinaliza percepção de risco fiscal ampliada. Por fim, o recrudescimento das tensões entre EUA e Irã pode reintroduzir volatilidade ao petróleo, afetando inflação global e estratégias de política monetária nas próximas semanas.



