Analistas da agência de classificação de risco Moody’s afirmam que a combinação entre stablecoins e tecnologia blockchain está acelerando a integração de diferentes segmentos do sistema financeiro tradicional. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (6), a instituição aponta avanços em crédito privado, finanças sustentáveis e fluxos de capital provenientes de mercados emergentes.
De acordo com o documento, a tokenização de ativos vem permitindo a automação de processos, ao registrar cada etapa das operações em redes blockchain. A utilização de smart contracts garante liquidação simultânea de pagamento e transferência de propriedade, dispensando intermediários.
Crédito privado em formato digital
Ao longo de 2025, bancos, gestoras de ativos e plataformas nativas digitais já tinham emitido instrumentos de crédito como tokens, possibilitando pagamento automatizado de juros, rastreamento de garantias e atualização de posições em tempo real. O relatório menciona fundos como Apollo e Wisdomtree entre os investidores que aderiram à novidade.
Títulos sustentáveis com métricas embutidas
Para títulos vinculados a metas de sustentabilidade, a Moody’s destaca que a tokenização viabiliza a inclusão de métricas de desempenho diretamente nos contratos inteligentes. Isso facilita a medição de redução de emissões e aquisição de energia renovável, tornando o acompanhamento dos objetivos ambientais mais consistente.
Papel das stablecoins
As stablecoins — criptomoedas atreladas a moedas fiduciárias, como o dólar — funcionam como elo entre os diferentes setores. Segundo a Moody’s, o uso desses tokens na liquidação de pagamentos internacionais, transferência de garantias e operações de recompra reduz fricções e garante gestão de liquidez em tempo real.
A agência observa que, em 2025, mais instituições reguladas passaram a adotar stablecoins lastreadas em dinheiro e títulos do Tesouro norte-americano para facilitar movimentações intradiárias entre fundos, carteiras de crédito e plataformas de negociação.
Infraestrutura em evolução
O relatório ressalta que a maior parte dessas operações ocorre em blockchains públicas ou autorizadas, o que assegura interoperabilidade e liquidez uniforme. Infraestruturas de finanças descentralizadas (DeFi) já oferecem suporte a títulos públicos tokenizados, commercial papers e outros instrumentos de crédito, citando o fundo BUIDL15, da BlackRock, como exemplo.
Imagem: Shubham Dhage via valor.globo.com
Apesar do potencial, a Moody’s lembra que a tecnologia ainda está em fase de projetos piloto e emissões limitadas. A economia estimada varia de 0,3 a 0,4 ponto percentual ao ano quando comparada às soluções tradicionais. A plena concretização das eficiências depende de uma infraestrutura capaz de conectar de forma contínua os ambientes financeiros digitais e convencionais até 2030.
O estudo compara a evolução do setor à trajetória do comércio eletrônico, que levou duas décadas para alcançar a compra com um clique. Para os analistas, o “momento de um clique” das finanças digitais exigirá investimentos robustos e integração de crédito tokenizado, instrumentos sustentáveis e dinheiro programável.
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Com informações de Valor Econômico



