A partir de 1º de junho de 2028, os tradicionais passeios de carruagem puxada por cavalos que circulam no entorno do Central Park serão totalmente suspensos. A decisão, validada pelo Conselho Municipal de Nova York em votação realizada em 22 de outubro de 2026, encerra um serviço mantido desde o século XIX e responde a pressões por bem-estar animal e segurança pública.
Votação expressiva sela o fim de uma era turística
O texto aprovado recebeu 40 votos favoráveis e 7 contrários, refletindo amplo consenso entre os legisladores. O prefeito Zohran Mamdani já se comprometeu a sancionar a proposta, batizada de Romanch’s Law em memória ao turista Romanch Mahajan, 18 anos, falecido em junho de 2026 após acidente envolvendo uma carruagem. A lei determina:
- Período de transição de 19 meses para adaptação de condutores e realocação dos animais;
- Proibição integral da circulação de carruagens em vias públicas a partir da data-limite;
- Exigência de planos individuais de destino para os aproximadamente 180 cavalos atualmente licenciados.
Ao longo desse intervalo, as charretes continuarão operando sob as regras vigentes, que incluem inspeções veterinárias semestrais e restrição de trabalho em temperaturas superiores a 32 °C.
Impactos econômicos sobre condutores e turismo local
O setor é composto por 150 condutores e detém 68 licenças emitidas pela prefeitura. Estimativas discutidas em audiência pública de julho de 2026 apontam renda anual entre US$ 65 mil e US$ 70 mil para profissionais autônomos, valor diretamente atrelado às corridas e gorjetas recebidas.
Atualmente, um passeio curto de 20 minutos custa a partir de US$ 95 (cerca de R$ 506), enquanto trajetos de 45 minutos ultrapassam US$ 160 (aprox. R$ 853). A experiência figura entre as atrações icônicas consumidas por visitantes de todas as partes do mundo, ao lado de observatórios como o Empire State Building e o Top of the Rock.
Economistas ligados à NYC & Company, agência oficial de promoção turística da cidade, avaliam que o impacto financeiro direto será limitado, pois o gasto médio diário do turista internacional — calculado em US$ 238, segundo dados de 2025 — tende a ser redistribuído para outras atividades culturais e gastronômicas.

Argumentos de bem-estar animal ganham força após incidentes
Entidades como a Animal Legal Defense Fund e a NYClass sustentam que a convivência de animais com o intenso tráfego nova-iorquino expõe cavalos a riscos de exaustão térmica, acidentes e doenças respiratórias. Dois episódios recentes impulsionaram o debate:
- Óbito de Romanch Mahajan (2026): o cavalo disparou após o condutor sair da posição para tirar fotos, culminando na queda fatal do turista.
- Colapso do cavalo Ryder (2022): animal tombou na Nona Avenida, teve idade falsificada em registros oficiais e morreu dois meses depois, gerando mobilização nas redes sociais.
Apesar das defesas do setor — que alega cumprir exames veterinários, limites de carga e intervalos de descanso —, laudos do Departamento de Saúde registrados entre 2022 e 2025 apontam 31 infrações sanitárias ligadas a hidratação inadequada e ferraduras defeituosas.
Próximos passos e cenários possíveis para 2028
Com a sanção prevista para as próximas semanas, a prefeitura deverá nomear um comitê interagências responsável por:
- Mapear fazendas certificadas interessadas em receber os cavalos aposentados;
- Oferecer programas de requalificação profissional aos condutores, incluindo subsídios para ingressarem em serviços de transporte elétrico leve;
- Monitorar, por meio de relatórios semestrais, a implementação das novas regras até junho de 2028.
Conclusão Técnica
O banimento das carruagens estabelece um divisor de águas na política turística nova-iorquina, encerrando uma tradição iniciada em 1800 e reafirmando a primazia do bem-estar animal na formulação de leis municipais. Nos 19 meses que precedem a data-limite, a administração local concentrará esforços em assegurar transição laboral para cerca de 150 profissionais e destinação ética aos 180 cavalos. Especialistas apontam que, a depender da eficiência desses programas, o modelo pode inspirar legislações similares em outras cidades globais onde o serviço ainda persiste.



