O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) reforçou o apelo para que empresas atuantes no Brasil intensifiquem o suporte financeiro e logístico às ações de acolhimento de pessoas deslocadas à força e apátridas. O pedido foi feito nesta quinta-feira (3), em São Paulo, pela diretora de parcerias com o setor privado do Acnur no país, Samantha Federici.
Segundo a agência, o orçamento global estimado para 2026 destinado a esse público sofreu redução em relação às previsões anteriores, agravando um cenário de aumento de conflitos e crises humanitárias em diferentes regiões. “Sabemos que há companhias com alcance internacional e capacidade de transformar realidades”, afirmou Federici ao destacar a necessidade de “participação mais ampla” de atores empresariais.
Dados divulgados pela organização indicam que, enquanto a demanda por assistência cresce, os repasses internacionais para operações humanitárias vêm diminuindo. O Acnur não detalhou valores, mas reiterou que a diminuição de recursos compromete projetos de acolhimento, integração socioeconômica e proteção jurídica de refugiados instalados no Brasil.
O chamamento é direcionado a empresas de todos os portes interessadas em contribuir por meio de doações diretas, programas de responsabilidade social, oferta de vagas de trabalho e capacitação profissional para refugiados. “A cooperação do setor privado pode preencher lacunas críticas e garantir continuidade das iniciativas”, ressaltou a representante.
O Brasil abriga atualmente dezenas de milhares de pessoas reconhecidas como refugiadas ou solicitantes de refúgio. Boa parte desse contingente é oriunda da Venezuela, mas há também cidadãos de Haiti, Síria, Afeganistão e Ucrânia, entre outras nacionalidades. Para 2026, a projeção do Acnur aponta crescimento no volume de deslocamentos forçados na região, pressionando ainda mais os sistemas nacionais de acolhida.
De acordo com Federici, as empresas que aderirem às ações do Acnur podem firmar acordos de cooperação adaptados às suas áreas de atuação, incluindo campanhas de arrecadação, programas de mentoria e ações de engajamento de funcionários. A diretora salientou ainda que a agência disponibiliza relatórios de transparência e métricas de impacto para garantir a prestação de contas aos parceiros.
Interessados em integrar a rede de apoiadores devem procurar diretamente o escritório do Acnur no Brasil, que coordena projetos em conjunto com governos locais, organizações da sociedade civil e outras agências das Nações Unidas.
Imagem: Ana Paula Paiva/Valor via valor.globo.com
Para saber como iniciativas empresariais podem gerar valor social e novos negócios, visite nossa seção de Oportunidade, onde reunimos casos de sucesso e dicas práticas.
O envolvimento do setor privado é considerado estratégico para manter e ampliar programas essenciais, garantindo proteção e meios de subsistência a milhares de famílias refugiadas no território nacional.
Quer receber mais notícias sobre responsabilidade social corporativa? Assine nossas atualizações e acompanhe as oportunidades de investimento de impacto.
Com informações de Valor Econômico



