Operação Acolhida interioriza 150 mil venezuelanos e reforça atenção na fronteira de Roraima

Boa Vista (RR) – Desde 2018, a Operação Acolhida já encaminhou mais de 150 mil venezuelanos para 1.100 municípios brasileiros, segundo o comando da força-tarefa instalada em Roraima. A estratégia de interiorização busca aliviar a pressão migratória na fronteira Brasil-Venezuela, em Pacaraima, e facilitar a inserção de migrantes em cidades com oferta de emprego ou rede de apoio familiar.

Fluxo migratório e primeiros atendimentos

Ponto inicial da travessia, Pacaraima fica a menos de um quilômetro da linha que separa os dois países. Ali, equipes militares e órgãos parceiros realizam cadastro, checagem de documentos e triagem de saúde dos recém-chegados, que recebem vacinação e, quando necessário, atendimento médico. Enquanto aguardam os trâmites, os migrantes permanecem em abrigos temporários administrados pelo Exército.

De acordo com o Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), quase 1 milhão de cidadãos da Venezuela entraram no Brasil entre 2018 e 2025. Só no ano passado, a Operação Acolhida transferiu 11,2 mil pessoas para outros estados.

Seis abrigos e 5,8 mil pessoas acolhidas

O general de divisão José Luís Araújo dos Santos, responsável pela operação em Roraima, informa que seis abrigos — distribuídos entre Pacaraima e Boa Vista — acolhem atualmente cerca de 5,8 mil venezuelanos. “Cerca de 80 mil pessoas foram recepcionadas apenas em 2025, com mais de 600 mil atendimentos e 7 mil doses de vacina aplicadas”, afirmou.

O caminho da interiorização

Após o registro na fronteira, os migrantes seguem de ônibus para Boa Vista, onde passam por cursos de qualificação em parceria com instituições como o Senai e participam de processos de intermediação de mão de obra. A partir daí, quem possui oferta de emprego ou parentes em outra localidade entra na fila para viajar a outras regiões do país.

Santa Catarina é o destino que mais recebeu venezuelanos pelo programa. Moradora de São José (SC) há cinco anos, Marjorie Cabrera, 36, regressou a Pacaraima no fim de 2025 para buscar as três filhas e o irmão. “Agora estamos todos juntos. Construímos uma vida nova no Brasil”, relatou.

Desafios além da documentação

Para o professor João Carlos Jarochinski, do Centro de Ciências Humanas da Universidade Federal de Roraima, a interiorização representa avanço, mas não encerra as dificuldades enfrentadas por quem migra em situação de crise. “Muitos chegam sem recursos, com diplomas que ainda não são reconhecidos e enfrentam barreiras no mercado de trabalho”, explicou. Ele defende maior articulação entre União, estados e municípios para validar competências e ampliar políticas de integração.

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Imagem: g1.globo.com

Aumento de fluxo em monitoramento

Após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, a Operação Acolhida divulgou vídeo informando estar “preparada para cenários de aumento do fluxo migratório” e mantém monitoramento permanente na fronteira. Até 11 de janeiro, a situação era considerada estável.

A história de Daniel Torres, 39, ilustra a esperança de quem chega. Pedreiro, ele viajou quatro dias desde Apure, na fronteira venezuelana com a Colômbia, e pretende seguir para Macapá (AP) para trabalhar com o irmão. “Quero recomeçar e dar uma vida melhor à minha família”, disse, enquanto aguardava inclusão no programa.

Para quem quer entender o impacto econômico dessa mobilidade populacional, vale acompanhar a análise de empregos formais e crescimento regional na seção Economia do Capital Financeiro.

Com a continuidade do atendimento humanitário e a perspectiva de novos fluxos, a Operação Acolhida reforça abrigos, parcerias e cursos de capacitação, mantendo o foco em organizar a fronteira e colaborar para o recomeço de milhares de venezuelanos em território brasileiro.

Com informações de G1

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