Levantamento CNT/MDA divulgado neste sábado mostra Luiz Inácio Lula da Silva com 43,1 % das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 38 % a menos de 24 horas da votação de 4 de outubro; a diferença, que era de 10,1 pontos em 15 de setembro, caiu para 5,1 pontos, projetando segundo turno tecnicamente indefinido.
Primeiro turno: números consolidados e trajetória recente
O levantamento, realizado entre 29 de setembro e 2 de outubro com 2.007 eleitores, confirma a liderança do atual presidente, Lula (PT), mas evidencia a aproximação do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na pesquisa anterior, divulgada em 15 de setembro, Lula aparecia com 40,5 % e Flávio, com 30,4 %. A evolução de 7,6 pontos do candidato do PL em pouco mais de duas semanas comprimiu a vantagem do petista, que encolheu de 10,1 para 5,1 pontos percentuais. A margem de erro de ±2,2 p.p. aponta que a liderança permanece, mas sem garantia de vitória em turno único.
Em um cenário de polarização, os candidatos que ocupam a terceira via permanecem distantes: Augusto Cury (Avante) registra 3,2 %; Ronaldo Caiado (PSD), 3 %; Renan Santos (Missão), 1,5 %; e Romeu Zema (Novo), 0,8 %. Todos somados não ultrapassam 9 %, insuficientes para modificar substancialmente a disputa principal.
Segundo turno: empate técnico dentro da margem de erro
No confronto direto, o instituto mede Lula com 47,3 % e Flávio Bolsonaro com 43,1 %. A diferença de 4,2 pontos situa-se dentro da margem estatística, configurando empate técnico. Na rodada anterior, a distância era maior: 47,3 % para o petista contra 40 % do adversário. A redução confirma a trajetória de ascensão do senador e reforça a incerteza quanto ao resultado final, caso o pleito avance para 27 de outubro.
A pesquisa também verificou taxa de 7 % de indecisos e 3,8 % de brancos ou nulos no eventual segundo turno. Esse contingente torna-se decisivo, pois qualquer oscilação mínima pode alterar a liderança nas próximas três semanas.
Agenda de campanha: mobilizações no Estado de São Paulo
Na véspera da votação, os dois principais candidatos concentraram esforços em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Lula comandou caminhada na Avenida Paulista e na Rua Augusta, acompanhado por Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet. O discurso reforçou compromissos trabalhistas — como o fim da escala 6×1 em tramitação no Senado — e a recente proibição das apostas esportivas online.
Flávio Bolsonaro adotou estratégia voltada ao interior, percorrendo em carreata os municípios de Santa Bárbara d’Oeste e Americana. Estiveram presentes o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputa a reeleição, e os candidatos ao Senado André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP). A agenda busca consolidar voto conservador fora da capital.
Entre os demais concorrentes, Augusto Cury visitou sua cidade natal, Colina (SP); Ronaldo Caiado liderou bandeiraço em Goiânia; e Renan Santos encerrou atividades no bairro da Liberdade, em São Paulo. Apesar dos esforços, a soma das candidaturas periféricas permanece abaixo de 10 %.

Metodologia, cronograma de votação e próximas divulgações
A sondagem da CNT/MDA empregou questionário presencial e amostra probabilística estratificada por sexo, idade, escolaridade, renda e região. O nível de confiança é de 95 %, com erro amostral máximo de ±2,2 p.p. A pesquisa está registrada no TSE sob número BR-09456/2026.
A votação deste domingo ocorre das 8 h às 17 h, horário de Brasília. Estados com fuso diferente têm horários ajustados: Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Roraima, das 7 h às 16 h locais; Acre, das 6 h às 15 h; e 11 municípios do Amazonas que seguem o fuso acreano, também das 6 h às 15 h. Em Fernando de Noronha, o processo será das 9 h às 18 h locais.
Além da CNT/MDA, estão previstas para hoje as divulgações de Datafolha, Quaest e AtlasIntel. Os resultados complementarão o panorama final antes da abertura das urnas.
Conclusão técnica
Os dados confirmam a manutenção da vantagem de Lula no primeiro turno, porém indicam redução significativa da diferença para Flávio Bolsonaro, reflexo de ganho expressivo do senador nas duas últimas semanas. A configuração atual aponta para segundo turno em 27 de outubro, com cenário de equilíbrio estatístico. As próximas horas concentram a divulgação de novos levantamentos e os últimos esforços de mobilização eleitoral, enquanto 7 % do eleitorado permanece indeciso e pode definir o desfecho da eleição presidencial de 2026.



