São Paulo – Cinco anos após o lançamento, o Pix já representa 45% de todas as transações no país e pressiona modelos de negócios de bancos, bandeiras e adquirentes, aponta levantamento da McKinsey.
Participação recorde em tempo recorde
Enquanto sistemas semelhantes somam 14% das operações na Índia e 3% na União Europeia, o meio de pagamento instantâneo brasileiro ganhou escala graças à obrigatoriedade regulatória, alta bancarização e rápida adesão do varejo. Hoje, 95% das pequenas e médias empresas aceitam a modalidade.
Impacto direto nos bancos
A consultoria calcula que, embora o Pix elimine fontes de receita tradicionais, ele também reduz custos operacionais — como transporte de cédulas — e pode reforçar o vínculo com o cliente. Ao analisar valor, frequência e horário das transações, as instituições conseguem personalizar ofertas em tempo real e ampliar a chamada “principalidade”.
O avanço, porém, aumenta a exposição a fraudes. Para mitigar o risco, especialistas recomendam múltiplas camadas de autenticação, incluindo biometria, análise comportamental e geolocalização.
Cartões de crédito sentem a pressão
O Pix já substituiu grande parte das operações entre pessoas (P2P) e do débito, especialmente entre jovens e consumidores das classes D/E, onde responde por quase 40% dos pagamentos. Na alta renda, a participação é de 22%, contida por benefícios como milhas e salas VIP oferecidos pelos cartões.
A receita dos plásticos cresceu 23% ao ano desde a chegada do Pix, mas a projeção para 2028 recua para 5% a 9% anuais. A desaceleração deve se intensificar com funções em desenvolvimento, como Pix parcelado, recorrente e internacional.
Adquirentes buscam novos serviços
Oito em cada dez lojistas pretendem manter as maquininhas, mas o core da adquirência está sob pressão. Cerca de 30% das empresas que aceitam Pix já recebem o pagamento pelo terminal de cartão. Para seguir relevantes, esses players investem em conciliação automática, integração contábil e ofertas de embedded finance, além de explorar o “Pix garantido” para antecipação de recebíveis.

Imagem: braziljournal.com
Dados viram moeda estratégica
Segundo a McKinsey, todos os atores do ecossistema dispõem de vasto volume de informações que podem tornar campanhas, produtos e análises de risco mais precisos. O desafio é converter esses dados em experiências personalizadas que gerem fidelização em um ambiente cada vez mais competitivo.
O estudo foi elaborado pelos sócios da McKinsey Roberto Marchi, Elias Goraieb e Gustavo Tayar, com a colaboração de Roberto Naccache.
O avanço acelerado do Pix demonstra que o “business as usual” perdeu espaço. Quem atua em meios de pagamento precisa ajustar rotas para manter relevância em um mercado cada vez mais instantâneo.
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Com informações de Brazil Journal



