Planalto vê ataque dos EUA à Venezuela como ameaça inédita à estabilidade regional

Brasília – Assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificam como “grave” o ataque conduzido pelos Estados Unidos contra a Venezuela em 5 de janeiro de 2026. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o episódio inaugura, neste século, o uso direto da força com finalidade política na América do Sul, criando um precedente considerado perigoso para a ordem internacional.

Fontes ouvidas pelo governo ressaltam que o problema não está na tecnologia empregada ou em possíveis algoritmos de localização vinculados ao regime de Nicolás Maduro. “O ponto crítico é o recurso à força em pleno território sul-americano”, resumiu um auxiliar próximo de Lula.

Ausência de justificativa formal

Para o Planalto, diferentemente de conflitos passados — como a invasão do Iraque em 2003, precedida por discursos de legitimação —, desta vez Washington não apresentou qualquer narrativa pública que ampare a ofensiva. A avaliação interna é de que houve “total ausência de disfarce ou pretexto”.

Disputa por recursos naturais

O principal temor do governo brasileiro envolve a busca por petróleo venezuelano. Integrantes da equipe presidencial receiam que o interesse possa se estender a urânio e minerais estratégicos, abrindo caminho para novas ações militares similares na região. “Hoje é petróleo; amanhã pode ser urânio”, advertiu um assessor.

A preocupação se intensifica porque o Brasil faz fronteira com dez países, entre eles a própria Venezuela. Ainda que o Planalto não tenha endossado o processo eleitoral venezuelano, considera-a uma “nação amiga” cuja instabilidade impacta diretamente a América do Sul.

Visão sobre Donald Trump

Em meio à campanha presidencial norte-americana, auxiliares de Lula avaliam que Donald Trump, líder nas prévias republicanas, age movido por interesses de negócio, não por ideologia. “Ele quer saber com quem pode negociar”, disse uma fonte. O Planalto suspeita que uma eventual transição política em Caracas poderia comprometer futuros acordos econômicos do magnata com o setor de energia.

Disputa geopolítica mais ampla

Oficiais brasileiros inserem o episódio em um contexto de rivalidade global entre Estados Unidos e China por energia, comércio e influência na América Latina. A ascensão de figuras da extrema-direita internacional, como o estrategista Steve Bannon, é vista como fator adicional de instabilidade.

Planalto vê ataque dos EUA à Venezuela como ameaça inédita à estabilidade regional - Imagem do artigo original

Imagem: g1.globo.com

Monitoramento das eleições brasileiras

Sobre possíveis reflexos internos, assessores afirmam que qualquer interferência externa no pleito de 2026 dependerá dos interesses que Trump passe a vislumbrar no Brasil. Enquanto isso, a estratégia é de “extrema cautela”, afirmou Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais.

O episódio reforça a percepção do governo de que as regras tradicionais do sistema internacional estão em erosão, exigindo vigilância constante do Itamaraty e das áreas de segurança.

Quer saber como movimentos internacionais afetam a economia nacional? Visite nossa seção de Economia para acompanhar análises atualizadas.

No cenário descrito, o Brasil acompanha atentamente os desdobramentos em Caracas e avalia medidas diplomáticas para preservar a estabilidade regional.

Com informações de g1